“A despeito de milênios de morte e decomposição, nada ainda se perdeu, nenhum átomo de matéria, e muito menos uma só parcela do ser íntimo que se apresenta a nós como natureza.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 41 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“A planta e o inseto morrem no fim do verão; o animal e o homem, ao cabo de alguns anos: a morte ceifa incansavelmente. Entretanto, é como se não fora no todo assim, tudo existe sempre no seu lugar e na sua ocasião, exatamente como se tudo fosse imperecível. A planta sempre verdeja e floresce, o inseto zumbe, o animal e o homem subsistem em indestrutível juventude, e as cerejas, que já saboreamos mil vezes, nós as temos novamente diante de nós a cada verão. Também os povos permanecem como indivíduos imortais, mesmo se às vezes mudam de nome. Sua conduta, suas ações, seu sofrimento são sempre os mesmos em todos os tempos, ainda que a história pretenda nos contar sempre algo novo: ela é como um caleidoscópio, que em cada volta nos apresenta uma configuração nova, entretanto, na verdade, são sempre os mesmos elementos diante dos nossos olhos. Desse modo, impõe-se-nos irresistivelmente o pensamento de que o nascimento e a morte não afetam em nada a essência verdadeira das coisas: esta permanece ilesa, é portanto imperecível, e permanece em cada ser, continuamente e sem fim.”

Arthur Schopenhauer

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Páginas: 40 a 41 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“Contemplai no outono o pequeno mundo dos insetos: vereis como um prepara seu leito para dormir o longo e letárgico sono do inverno; o outro tece seu casulo para passar o inverno sob a forma de uma crisálida e despertar um dia, na primavera, mais perfeito e mais jovem; a maioria, enfim, que tenciona repousar no braço da morte, só se inquieta para preparar um abrigo adequado para o seu ovo, de onde, um dia, ressurgirá sob uma nova forma. Que é isso senão a grande doutrina de imortalidade da natureza, que gostaria de nos ensinar que entre sono e morte não há diferença radical, (…).”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 39 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“Sempre e por toda parte o verdadeiro símbolo da natureza é o círculo, porque ele é o esquema do retorno; com efeito, esta é a forma mais geral na natureza, a mais observada em todas as coisas, desde o curso das estrelas, até a morte e nascimento dos seres orgânicos, e o único capaz, na torrente incessante do tempo e de seu conteúdo, de servir de fundamento a uma existência permanente, isto é, uma natureza.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 39 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

🔖 Assim como Schopenhauer, para Spinoza, a Natureza (que ele entende como Deus) é permanente, eterna:

…

“Ora, se a mãe de todas as coisas se preocupa tão pouco em largar sem proteção seus filhos entre mil perigos sempre ameaçadores, isso só pode ser porque ela sabe que, caso eles sucumbam, recaem em seu seio, onde estarão protegidos e, por isso, sua queda não é mais que uma brincadeira.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 35 a 36 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si | A mãe de todas as coisas: a natureza

“Seguramente não conhecemos nenhuma partida mais séria do que aquela na qual a vida e a morte são os jogadores: toda decisão sobre a sorte dessa partida é aguardada por nós com extrema tensão de espírito, com o maior interesse e o maior temor, pois, a nossos olhos, vale todo o nosso ser.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 35 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

🔖 Leia outra citação que faz analogia da vida como um jogo:

…

“(…) Epicuro examinou a morte, e assim tinha toda razão em dizer que ‘a morte não nos concerne’; pois, disse ele que, quando somos, a morte não é, e quando a morte é, não somos mais (…).”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 28 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“(…) evidentemente é absurdo considerar o não-ser como um mal; com efeito, todo mal, como todo bem, tem por pressuposto a existência, e mesmo a consciência; mas essa consciência cessa com a vida, como também no sono e no desmaio; sabemos, portanto, com certeza e por uma experiência familiar, que a desaparição da consciência não comporta nenhum mal, e em todo caso a produção desse fenômeno é coisa de um instante.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 28 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“Há uma luta entre os dois princípios – conhecimento e vontade -, e nosso juízo aplaude a vitória do conhecimento sobre a vontade.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 27 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“O animal vive sem ter conhecimento da morte: por isso (…) desfruta imediatamente de toda a imutabilidade da espécie, visto que só tem consciência de si como infinito. Entre os homens surgiu, com a razão, por uma conexão necessária, a certeza terrível da morte. Mas, como sempre na natureza a todo mal é dado um remédio, ou pelo menos uma compensação, então essa mesma reflexão, que nasce da ideia da morte, também nos leva a concepções metafísicas consoladoras, (…). É, em especial, em torno desse fim que se dirigem todos os sistemas religiosos e filosóficos, que são, portanto, como que o antídoto que a razão, por força de suas reflexões, fornece contra a certeza da morte.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 23 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

🔖 Leia outras frases que abordam o mesmo tema:

…

“A morte é propriamente o gênio inspirador, ou a musa da filosofia, e por isso Sócrates a definiu como ‘preparação para a morte’.”

Arthur Schopenhauer   

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Página: 23 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

“Não nos surpreendemos com a raridade de uma espécie, mas ficamos chocados com seu desaparecimento; é como admitir que a doença é o prelúdio da morte e não se sentir surpreso diante da doença, mas apenas com a morte da pessoa doente, não atribuindo o falecimento ao mal de que ela sofria, mas a algum ato desconhecido de violência.”

Charles Darwin em texto escrito em 1845 

Livro: A origem das espécies (Ed. Martin Claret, 2004 – 1ª Edição 1859) | Autor: Charles Darwin | Página: 394

“(…) as formas de vida melhoradas sempre suplantarão as antigas, com menos recursos para sobreviverem.”

Charles Darwin  

Livro: A origem das espécies (Ed. Martin Claret, 2004 – 1ª Edição 1859) | Autor: Charles Darwin | Página: 357

“Na realidade, a desigualdade fundamental em relação à aposentadoria é a desigualdade das expectativas de vida: em geral, os salários baixos têm expectativas de vida bem menores que os salários elevados, de modo que recebem sua aposentadoria durante um período mais curto.”

Thomas Piketty   

Livro: A economia da desigualdade (Intrínseca, 2015) | Autor: Thomas Piketty | Página: 132

“A perspectiva de uma renda decente parece ter um efeito estimulante maior sobre as rendas menores do que a perspectiva de uma renda ainda mais elevada para as rendas já confortáveis: as ‘armadilhas de pobreza’ são potencialmente mais relevantes do que as ‘armadilhas de renda média’.”

Thomas Piketty   

Livro: A economia da desigualdade (Intrínseca, 2015) | Autor: Thomas Piketty | Página: 121