“O ser humano moralmente maduro é aquele que consegue ter uma consciência própria independente da sociedade em que foi criado e agir para modificar as leis que julga injustas, mesmo que elas não o atinjam diretamente.”

Lawrence Kohlberg – pesquisador que desenvolveu uma teoria sobre julgamento moral

Livro: Corrupto! (Larousse do Brasil, 2007) | Autor: Júlio Emílio Braz | Página: 126

“É algo aterrador… ouvir os crimes monstruosos que se cometem diariamente e escapam sem punição… Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer profissão, se puder pagar o suficiente. Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer tipo de vantagem sobre os miseráveis e os pobres.”

Charles Darwin – Trecho de diário com anotações feitas durante sua passagem e estadia no Rio de Janeiro, no dia 03/07/1831

Livro: Corrupto! (Larousse do Brasil, 2007) | Autor: Júlio Emílio Braz | Página: 7

“A desigualdade era o preço da civilização.”

George Orwell

Livro: 1984 (Companhia Editora Nacional, 2004 – Data da primeira publicação: 1949) | Autor: George Orwell | Página: 196

“A desigualdade social e econômica, evidentemente, permanece, pois é inerente ao Estado-nação. O padre Júlio Maria, propagador de uma reforma católica, explicitou: ‘em toda sociedade há necessariamente desigualdades que contrariam o orgulho e a vaidade humana. Há em toda sociedade cabeças que pensam e braços que executam, juízes e jurisdicionados: há em toda sociedade o que se chama uma hierarquia, a qual repousa sobre as desigualdades. Ora, a lei promulga as desigualdades, mas só a religião as faz aceitar. Portanto, meus amigos [ou seja, membros das elites], sustentem todos a Religião. Trabalhemos todos para que no Brasil o Estado e a Igreja se entrelacem, como podem e devem fazê-lo, no interesse do povo e para a salvação da Pátria’.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) – apud OLIVEIRA, José Carlos de

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 24 | Padre Júlio Maria (1.878 – 1944)

“Todos os homens têm igual direito à satisfação das suas necessidades e ao usufruto de todos os bens da natureza, e a sociedade deve consolidar esta igualdade.”

Manifesto dos iguais (1796)

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 266

“Há um dado da FEBEM (Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor) de que, nas vésperas do dia das mães, dos namorados, dos pais e do Natal, época em que a propaganda é mais intensa, acontece o maior número de furtos praticados por menores. Na impossibilidade de comprar, eles respondem aos estímulos da propaganda do único jeito possível. E são presos.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins  

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 92

“Há mecanismos na própria sociedade que impedem a tomada de consciência: as pessoas têm a ilusão de que vivem numa sociedade de mobilidade social e que, pelo empenho no trabalho, pelo estudo, há possibilidade de mudança, ou seja, ‘um dia eu chego lá’… E se não chegarem, ‘é porque não tiveram sorte ou competência’.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins  

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 64

“O conhecimento vem sendo usado há muito tempo para fins de controle. Pessoas têm sido mantidas famintas para que ‘trabalhem pela comida’ e assim possam ser reforçadas com comida, do mesmo modo por que foram tornadas miseráveis a fim de agirem de maneiras que lhes reduzam a miséria.”

B. F. Skinner  

Livro: Sobre o behaviorismo (Cultrix, 2006 – Primeira publicação: 1974) | Autor: B. F. Skinner | Página: 46

“Para que haja um solo amplo, fundo e generoso para a evolução das artes, a imensa maioria tem de trabalhar para uma minoria, para além da medida de sua indigência individual, submetida como escrava à necessidade da vida.”

Nietzsche

Livro: Nietzsche: biografia de uma tragédia (Geração Editorial, 2017) | Autor: Rüdiger Safranski | Páginas: 64 a 65

“Cheguei a conclusão que se um pobre fica rico, a alma continua pobre. E se um rico ficar pobre a alma continua rico. E transformam em dilemas mentaes.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 364 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

“Fico pensando nas reviravoltas da vida. Quando eu era lixeira não ganhava nada. Agora que posso comprar ganho tantas coisas. Da a impressão que a felicidade fez as pazes comigo. Eu gostaria que a felicidade fizesse as pazes, com todos os habitantes do mundo.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 272 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

“Na favela, eu não tinha o que comer. E tinha tempo para preparar refeições. Aqui eu tenho de tudo e não tenho tempo.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 216 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

“O fato puro e simples é que o mundo jamais construiu uma democracia multiétnica na qual nenhum grupo étnico em particular tenha uma maioria, na qual igualdade política, igualdade social e econômica que empodere a todos tenham sido alcançadas.”

Danielle Allen  

Livro: Como as democracias morrem (Zahar, 2018) | Autores: Steven Levitsky e Daniel Ziblatt | Página: 215

“Um dia, na favela eu não tinha o que comer. Havia preparado para morrer. Ia beber formecida. Misturei o veneno no café. Os filhos tomam com pão e morre. Quando o senhor Binidito chegou, com uns pacotes: arroz, carne, açúcar, café, latas de óleo. Fiquei alegre! Joguei o café fora.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 90 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

🔖 Leia outra frase de Carolina sobre o mesmo tema:

“Nas condições que eu vivia e na atual… posso considerar-me rica. Mas, os meus filhos continuam catando o que encontram nas latas de lixo! Isto é o comprovante das primeiras atividades da infância e é que predomina na mente do adulto.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 86 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

“A transição de minha vida foi impulsionada pelos livros. Tive uma infância atribulada. É por intermédio dos livros que adquirimos boas maneiras e formamos nosso caráter. Se não fosse por intermédio dos livros que deu-me boa formação, eu teria me transviado, porque passei 23 anos mesclada com os marginais.”

Carolina Maria de Jesus  

Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 195 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.