“Certamente, o Conselho sabe o que é uma democracia. É a fila que se forma sem confusão. É o ‘não’ em não empurre. É o furo no saco de cereais que vaza lentamente; é um amassado na cartola. Democracia é a suspeita recorrente de que mais da metade das pessoas está certa mais que a metade do tempo. É a sensação de privacidade na cabine eleitoral, a sensação de comunhão nas bibliotecas, a sensação de vitalidade em toda parte. Democracia é a carta ao editor. Democracia é o placar na nona entrada. É uma ideia que ainda não foi desmentida, uma canção cuja letra não desandou. É a mostarda no cachorro-quente e o creme no café racionado. Democracia é um pedido do Conselho de Guerra no meio da manhã, no meio de uma guerra, querendo saber o que é democracia.”
E. B. White, escritor. Durante a Segunda Guerra Mundial foi convidado pelo Conselho de Guerra dos Escritores, criado pelo governo federal norte-americano, a escrever uma resposta rápida à questão “O que é a democracia?”
Livro: Como as democracias morrem (Zahar, 2018) | Autores: Steven Levitsky e Daniel Ziblatt | Páginas: 217 a 218