“Em consequência da favorável exposição da descoberta de diamantes do Serro Frio, foram estes procurados com maior avidez. Fizeram-se extensas especulações e chegaram à Europa em tal abundância, que se receou seriam muito depreciados. Para evitar isto espalhou-se de propósito o boato que os diamantes do Brasil eram decididamente inferiores aos orientais. Outros interessados no seu comércio negavam que fossem da América, e declaravam que eram o refugo das minas da Índia, enviados do Indostão a Goa e dali transmitidos ao Rio de Janeiro. Estas informações falsas excitaram na Europa um grande prejuízo contra os diamantes do Brasil; caíram logo nas mãos de poucas pessoas, que sabiam melhor manejar o negócio, as quais antevendo que o Governo não podia ficar indiferente, compraram todos os que lhe ofereceram, e tomaram o engenhoso expediente de ocultamente transmitirem os diamantes brasileiros a Goa, e daí a Bengala, onde eram batizados como legítimos diamantes orientais, comprados a altos preços e transmitidos à Inglaterra, onde se espalhavam pela Europa. Eram em toda a parte recebidos pelos consignatários manufatureiros de brilhantes como genuínos diamantes orientais. Trazidos assim a uma competência manifesta, achou-se que eram em nada inferiores às mais belas pedras de Golconda. O primeiro prejuízo foi logo abandonado pelo comércio, mas fez uma notável impressão nas pessoas pouco conhecedoras do diamante. Pode-se com verdade afirmar que a Europa depende quase que inteiramente do Brasil para o suprimento dos diamantes.”
João Mawe – Tratado dos Diamantes e Pedras Preciosas, 1807
Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 78