“Como você sabe, em política o que vale não é o fato, é a versão.”
Fernando Sabino
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 216 – Crônica: “A chave do enigma”
“Evém o mineiro. Ele não olha: espia. Não presta atenção: vigia só. Não conversa: confabula. Não combina: conspira. Não se vinga: espera. Faz parte de seu decálogo, que alguém já elaborou. No mais, é confiar desconfiando. Dois é bom, três é comício. Devagar que eu tenho pressa.”
Fernando Sabino
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 212 – Crônica: “A chave do enigma”
“Sim, Adão foi feito de barro – e é no barro que a gente humilde do Vale do Jequitinhonha, nos confins de Minas Gerais, recupera para o homem a pureza perdida, a inocência anterior à sua expulsão do paraíso.”
Fernando Sabino
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 195 – Crônica: “Adão foi feito de barro”
“Composto de fragmentos coloridos de madeira, papel, serragem, pedaços de plástico, sementes e até pipocas, este primor da arte popular, com a efêmera duração de um só dia, concebido espontaneamente noite a dentro pela população anônima da cidade, representa a mais autêntica manifestação criativa de sua devoção a Deus.”
Fernando Sabino sobre os tapetes da Procissão do Sábado de Aleluia em Minas Gerais
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 175 – Crônica: “Vila Rica do Pilar”
“Apenas 19 quilômetros de estrada separam Belo Horizonte da antiga Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabuçu, à marem do lendário Rio das Velhas. Sabará, ‘A Fidelíssima’. Fidelíssima por quê? Invenção de Pedro I. Consta que em 1674, quando aqui chegou Borba Gato procurando esmeraldas à frente da Bandeira de seu sogro Fernão Dias, os índios fugiram, ganhando a outra margem, e deixaram para trás as velhas que não conseguiam acompanhá-los – daí o nome do rio.”
Fernando Sabino sobre o Rio das Velhas que passa na cidade de Sabará em Minas Gerais
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 165 – Crônica: “A Fidelíssima”
“Onde mais poderíamos conceber reunião igual, senão em terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor? No seio de uma gente que está ilhada entre cones de hematita, e contudo mantém com o universo uma larga e filosófica intercomunicação, preocupando-se, como nenhuma outra, com as dores do mundo, no desejo de interpretá-las e leni-las? Um povo que é pastoril e sábio amante das virtudes simples, da misericórdia, da liberdade – um povo sempre contra os tiranos, e levando o sentimento do bom e do justo a uma espécie de loucura organizada, explosiva e contagiosa, como revelam suas revoluções liberais. São mineiros, esses profetas; mineiros na patética e concentrada postura que os armou o mineiro Aleijadinho; mineiros na visão ampla da terra, seus males, guerras, crimes, tristezas e anelos; mineiros no julgar friamente e no curar com bálsamos; no pessimismo; na iluminação íntima; sim, mineiros de cento e cinquenta anos atrás e de agora, taciturnos, crepusculares, messiânicos e melancólicos.”
Carlos Drummond de Andrade
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Páginas: 162 a 163 – Crônica: “Chá de Congonhas”
“Percebe-se claramente a hipocrisia humana quando aquele ou aquela, entregue a um acesso de raiva, tem que atender o telefone e se enche de amabilidade.”
Ramón Gomez de la Serna, no livro “Greguerías”
Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 138 – Crônica: “Palavras ao Vento”