“(…)‘no uso norte-americano comum, a cultura é, antes de tudo, a etnicidade’, que, por sua vez é ‘um modo legítimo de escavar um nicho na sociedade’. Escavar um nicho, não há dúvida, implica acima de tudo separação territorial, o direito a um ‘espaço defensável’ separado, espaço que precisa de defesa e é digno de defesa precisamente por ser separado – isto é, porque foi cercado de postos de fronteira que permitem a entrada apenas de pessoas ‘da mesma’ identidade e impedem o acesso a quaisquer outros.”

Zygmuny Bauman

“Torna-se cada vez mais fácil misturar a visão dos estranhos com os medos difusos da insegurança; (…).”

Zygmuny Bauman

Livro: Modernidade Líquida (Zahar, 2021 – 1ª Edição 2000) | Autor: Zygmuny Bauman | Página: 135

“O exílio é para o pensador o que o lar é para o ingênuo; é no exílio que o distanciamento, modo de vida habitual da pessoa que pensa, adquire valor de sobreviência.”

Zygmuny Bauman

Livro: Modernidade Líquida (Zahar, 2021 – 1ª Edição 2000) | Autor: Zygmuny Bauman | Página: 58

“A mesma garota polonesa que em casa jamais seria arrancada de sua tradicional indolência por nenhuma oportunidade de ganhar dinheiro, por mais tentadora que fosse, parece transformar sua inteira natureza e tornar-se capaz de conquistas intermináveis quando ela é uma trabalhadora imigrante em um país estrangeiro.”

Max Weber   

Livro: A ética protestante e o espírito do capitalismo (Martin Claret, 2013 – Textos escritos em 1904 e 1905) | Autor: Max Weber | Página: 49

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias, “Canção do Exilio” 

Livro: Primeiros Cantos (Autêntica Ed., 1998 – 1ª Edição 1847) | Autor: Gonçalves Dias | Páginas: 19 a 20

🔖 Leia um trecho de outro livro que cita a Canção do Exilio:

“Os antropólogos chamam a condição de alguém que habita essa zona intermediária ou de transição entre duas ou mais culturas de ‘marginal’. Aquela pessoa que nasce em uma cultura, que aprende seus costumes, sua língua e regras e depois disso viaja ou emigra para outro país, outra cidade ou região, torna-se com o tempo um marginal. Ele pertence aos dois mundos, mas não pertence definitivamente a nenhum deles. Quando chega nessa outra cultura, ele pode se adaptar, aprender os costumes e a língua, mas sempre será percebido e se sentirá, em parte, alguém que ‘não é daqui’. (…) Mesmo que regresse à sua cultura original, terá passado tanto tempo fora que perdeu uma parte da história. Fica assim meio deslocado em sua própria família ou cultura de origem. Esse é o marginal.”

Christian Dunker e Cláudio Thebas  

Livro: O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas (Ed. Planeta, 2021) | Autores: Christian Dunker e Cláudio Thebas | Página: 33 a 34

“A liberdade individual – vestir-se como eu quero (exceto usar o véu) – tornou-se símbolo das lutas da década de 1970; é obviamente um insulto às lutas das mulheres trabalhadoras, imigrantes, refugiadas políticas.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 85

“Foi pensando nessas mulheres, em suas lutas e em suas vidas, que propus um feminismo decolonial radicalmente antirracista, anticapitalista e anti-imperialista. Um feminismo à escuta dos combates das mulheres mais exploradas, das empregadas domésticas, das profissionais do sexo, das queer, das trans, das migrantes, das refugiadas e daquelas para quem o termo ‘mulher’ designa uma posição social e política, não estritamente biológica.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 20