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Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

As aves que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias, “Canção do Exilio” 

Livro: Primeiros Cantos (Autêntica Ed., 1998 – 1ª Edição 1847) | Autor: Gonçalves Dias | Páginas: 19 a 20

🔖 Leia um trecho de outro livro que cita a Canção do Exilio:

“Uma vez, (…) estávamos num congresso de escritores em Brasília. Assentados no auditório ouvíamos as doutas palavras que eram ditas no palco onde alguém proclamava as virtudes de um texto literário. A rigor, o texto em questão era a ‘Canção do exílio’, de Gonçalves Dias, que até dez anos atrás todos os brasileiros sabiam de cor, não exatamente por causa da ditadura recente, mas porque era texto que aparecia em todas a antologias escolares.

Quem tem mais de trinta anos e estudou português e não a famigerada comunicação e expressão se lembra dos primeiros versos: Minha terra tem palmeiras / Onde canta o sabiá, / As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá.”

Affonso Romano de Sant´Anna05/01/1989

Livro: Porta de colégio e outras crônicas (Editora Ática, 1997) | Autor: Affonso Romano de Sant´Anna | Página: 53

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