“Não se revoltarão enquanto não se tornarem conscientes, e não se tornarão conscientes enquanto não se rebelarem.”
George Orwell
Livro: 1984 (Companhia Editora Nacional, 2004 – Data da primeira publicação: 1949) | Autor: George Orwell | Página: 72
“(…), enfim, um badulaque de coisas irrisórias, até objetos que hoje escandalizam, como foram os escravos. Eram oito, dos quais o Simão, rebolo, com 50 anos de idade, valia mais que todos os outros e dava 150$000; um Paulo, cabinda e mentecapto, 10$000; um João, merfembe, 84 anos, 20$000; e um de 96 anos, sem valor, Jaquim, angola!”
Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)
Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 127 | Rebolo: etnia do norte da Angola – Cabinda: provincia de Angola – Mentecapto: desprovido de inteligência
“E porque no suplicante concorre o defeito de ser casado com mulher parda, e semelhantes pessoas não são admitidas em irmandades de brancos, inda que ordinárias, nem nas Ordens Terceiras, nem ainda para porteiro da câmara, que serve só para tocar sino e levar recados, muito menos deve ser admitido o suplicante à ocupação em que foi provido, para levar adiante do cabido a insígnia do mesmo nas funções do culto divino; e a vista do mesmo se assentou que o reverendo procurador deste cabido faça os requerimentos necessários a fim de suspender a provisão; cujos defeitos provavelmente Sua Excelência ignorava.”
Acórdão (decisão judicial) de 15 de abril de 1751 – Sobre o crime do Padre Amaro
Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 91
“Dessas folias, diga-se, como se poderiam condenar as do Rosário, se eram as únicas a dar ocasião de desafogo aos pobres africanos que, com suas danças características, com o seu congado, ao som dos tristes instrumentos, restos de sua pátria, aqui viviam, ao menos pela ilusão de um dia, as cerimônias e os usos de seus fetiches? Fingiam-se de livres, tinham seu rei, sua rainha e seus generais, dançavam e cantavam. Quem teria ânimo de separá-los desses regozijos?”
Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)
Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 73
“Nós passamos a ser a medida absoluta de tudo, e essa atitude só pode levar ao dogmatismo e ao preconceito.”
Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 380
“O ponto de partida não deve ser a liberdade individual, mas sim o interesse coletivo. É a partir dele que o comportamento individual se regula. Só assim será possível a efetiva liberdade de cada um, como processo final de uma ação calcada na cooperação, na reciprocidade e no desenvolvimento da noção de responsabilidade e compromisso. Nesse sentido, o outro não é o limite da nossa liberdade, mas a condição para atingi-la.”
Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 322
“(…) quando um grupo, anteriormente ‘deveras importante’, adquire um crescente senso de poder, ‘seus membros sentem uma necessidade mais intensa de auto-afirmação’.”
B. F. Skinner citando como tem sido descrita a posição da minoria negra nos Estados Unidos
Livro: Sobre o behaviorismo (Cultrix, 2006 – Primeira publicação: 1974) | Autor: B. F. Skinner | Página: 141
“Quando eu morava em Sacramento era feiticeira porque eu lia um Dicionário prosódico de João de Deus e os incultos dizia que era livro de São Cipriano.
Fui presa e apanhei. A minha mâe foi defender-me um soldado deu-lhe uma caçêtada e quebrou-lhe o braço. E eu jurei não mais voltar na minha terra. Eu estava com 17 anos.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 131 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.
“O fato puro e simples é que o mundo jamais construiu uma democracia multiétnica na qual nenhum grupo étnico em particular tenha uma maioria, na qual igualdade política, igualdade social e econômica que empodere a todos tenham sido alcançadas.”
Danielle Allen
Livro: Como as democracias morrem (Zahar, 2018) | Autores: Steven Levitsky e Daniel Ziblatt | Página: 215
“… A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos como encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é minha pele. Preto é o lugar onde moro.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 167 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“O branco é diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 65 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“(…) eles respondia-me: – É pena você ser preta.
Esquecendo eles que eu adoro a minha pele negra, e o meu cabelo rustico. Eu até acho o cabelo de negro mais iducado do que o cabelo de branco. Porque o cabelo de preto onde põe, fica. É obediente. E o cabelo de branco, é só dar um movimento na cabeça ele já sai do lugar. É indisciplinado. Se é que existe reincarnações, eu quero voltar sempre preta.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 64 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 32 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“Que Deus ilumine os brancos para que os pretos sejam feliz.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 30 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“13 de maio Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos.”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 30 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
“Na verdade, o que pretendem os opressores ‘é transformar a mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime’, e isto para que, melhor adaptando-os a esta situação, melhor os dominem.”
Paulo Freire citando Simone de Beauvoir
Livro: Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2023 – Escrito em 1968, durante seu exílio no Chile) | Autor: Paulo Freire | Página: 84
“(…) o convencimento dos oprimidos de que devem lutar por sua libertação não é doação que lhes faça a liderança revolucionária, mas resultado de sua conscientização.”
Paulo Freire
Livro: Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2023 – Escrito em 1968, durante seu exílio no Chile) | Autor: Paulo Freire | Página: 74