“Devendo-se attender mais, que a nenhuma outra cousa, a evitar pelos meios possíveis as offensas a Deos e com especialidade os pecados públicos, que com tanta soltura correm desenfreadamente no Arraial do Tejuco, pelo grande número de mulheres deshonestas, que habitão no mesmo arraial com vida tão dissoluta e escandalosa, que não se contentando de andarem com cadeiras e serpentinas acompanhadas de escravos, se atrevem irreverentes a entrar na casa de Deos com vestidos ricos e pomposos, e totalmente alheios e impróprios de sua condição; – E não se podendo dissimular por todas as leis divinas e humanas, sem um grave escrúpulo de consciência dos que governão, o castigo de gente tão abominável, que se deve reputar como contagio dos povos, e estrago dos bons costumes; – Mando que toda a mulher de qualquer estado e condição que seja, que viver escandalosamente, seja notificada, para que em oito dias saia para fora de toda a comarca do Serro Frio; e quando o não execute no dito termo, será presa e confiscada em tudo quanto se lhe achar; e toda aquella pessoa, que por si o por outrem, com conselho, com obra, ou com diligência alguma, intentar impedir o que determino n’este bando, incorrerá na mesma pena e se remetterá presa para esta villa.”

Transcrição de 2 de dezembro de 1733  

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 56

“Às vezes, até mulheres adultas precisam do consolo da mãe, só para deixar um pouco de lado a obrigação de ser forte o tempo inteiro.”

Colleen Hoover 

Livro: É assim que acaba (Galera Record, 2024 – Primeira edição 2016) | Autora: Colleen Hoover | Página: 325

“Um comportamento que dicotomiza a figura feminina: ou é santa ou é prostituta. De qualquer forma, é interessante como a recusa de sexualizar a mulher se contrapõe, a todo instante, à tendência a sexualizá-la de forma perversa. Veja, por exemplo, o uso simples dos adjetivos honesto e sério. O que entendemos por ‘homem honesto’ ou ‘sério’ é muito diferente do que queremos dizer com ‘mulher honesta’ ou ‘séria’. Um homem indignado pode ter o seu comportamento analisado de diversas formas. Idêntico comportamento na mulher gera explicações referentes à suposta ‘precariedade’ da sua vida sexual. De um homem, no seu serviço, exige-se competência; de uma mulher, que também seja bonita e charmosa.

A própria mulher tem em si mesma esse tecido ambíguo da exposição e da negação da sexualidade. É ensinada desde cedo a ser vaidosa, insinuante. Mas deve ir até certo ponto, no limite da decência (?!).”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 363

“Na família burguês vão se tecendo os papeis destinados a cada elemento. O pai é o provedor da casa, aquele que garante a subsistência da família, e seu espaço é público (o trabalho e a política). A mulher, ‘protegida’ pelo homem, desempenha o papel biológico que lhe é destinado e fica confinada ao lar.

A consequência disso é a chamada dupla moral, isto é, a existência de uma moral para a mulher e outra para o homem.

Para que a mulher possa desempenhar seu papel de mãe, a educação da menina é orientada como se ela fosse um ser assexuado. Sua vida sexual deve começar apenas no casamento e, muitas vezes, sem os ‘prazeres da luxúria’. A virgindade é valorizada, o adultério punido (até pouco tempo, inclusive no código penal) e sempre se aceitou com naturalidade as justificativas de ‘matar para lavar a honra’.

Por outro lado, a educação do menino é bem diversa, orientada mesmo para uma vida sexual precoce.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 363

“O ponto de partida não deve ser a liberdade individual, mas sim o interesse coletivo. É a partir dele que o comportamento individual se regula. Só assim será possível a efetiva liberdade de cada um, como processo final de uma ação calcada na cooperação, na reciprocidade e no desenvolvimento da noção de responsabilidade e compromisso. Nesse sentido, o outro não é o limite da nossa liberdade, mas a condição para atingi-la.” 

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 322

🔖 Leia outras frases que expressam a mesma ideia:

“Uma política de natalidade premia os casais de muitos filhos e estimula o retorno da mulher ao lar, exaltando sua função de mãe e de mantenedora da harmonia familiar. Costuma-se dizer que o nazismo reduziu a atividade da mulher a três k – Kirche (Igreja), Küche (cozinha) e Kinder (criança).”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 295

“Atenas possuía meio milhão de habitantes, dos quais 300 mil eram escravos e 50 mil metecos (estrangeiros); excluídas as mulheres e crianças, restavam apenas 10% considerados cidadãos propriamente ditos, capacitados para decidir por todos.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins  

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 35 e 218

O livro “100 minutos para entender Platão” (Astral Cultural, 2022) repete essa mesma informação: “Só eram considerados cidadãos gregos os homens acima de trinta anos, cujos pais tivessem nascido em Atenas, o que correspondia a menos de 10% da população.” | Página: 41

“(…) a subjugação da mulher, entre nós, ocidentais, é uma decorrência do pensamento bíblico.”

Joseph Campbell     

Livro: O poder do mito (Palas Athena, 1990) | Autor: Joseph Campbell com Bill Moyers | Página: 182

“Existe, na realidade, uma explicação histórica baseada na chegada dos hebreus a Canaã e na subjugação do povo de Canaã. A principal divindade desse povo era a Deusa, e, associada à Deusa, estava a serpente. Este é o símbolo do mistério da vida. Os hebreus, orientados na direção de um deus masculino, rejeitaram isso. Em outras palavras, existe uma rejeição histórica da Deusa-Mãe, implícita na história do Jardim do Éden.”

Joseph Campbell    

Livro: O poder do mito (Palas Athena, 1990) | Autor: Joseph Campbell com Bill Moyers | Página: 50

“A lei que legaliza o casamento com a irmã da mulher morta foi desde logo imposta porque proporciona um remédio para uma inconveniência concretamente sentida; mas ninguém propôs uma lei para legalizar o casamento com o irmão do marido morto.”

Charles S. Peirce  

Livro: Semiótica (Perspectiva, 2010) | Autor: Charles S. Peirce (1839 – 1914) | Parágrafo: 10 – Página: 316 a 317

“Continuava ensinando-me deveres sociaes. A mulher voluvel não deve casar-se o casamento é um ato muito sério. A mulher não deve ser exigente com o esposo. Deve conformar-se com as posses e ser participante na luta que a vida nos concede. Eu ficava horrorizada com as propostas e fui ficando sosinha.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 264 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito. | Carolina falando sobre as lições da mãe.

“Uma mulher inteligente vê os defeitos do homem antes de casar-se com ele. As tôlas vê depois.”

Carolina Maria de Jesus 

Livro: Casa de alvenaria, volume 2: Santana (Companhia das letras, 2021 – Escrito em 1960 e publicado originalmente em 1961) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Páginas: 156 a 157 | A fim de resguardar a integridade da voz e da escrita de Carolina, esta edição mantêm todos as grafias destoantes dos dicionários do início da década de 1960, quando o livro foi escrito.

“Na verdade, o que pretendem os opressores ‘é transformar a mentalidade dos oprimidos e não a situação que os oprime’, e isto para que, melhor adaptando-os a esta situação, melhor os dominem.”

Paulo Freire citando Simone de Beauvoir  

Livro: Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2023 – Escrito em 1968, durante seu exílio no Chile) | Autor: Paulo Freire | Página: 84

“Há, por outro lado, em certo momento da experiência existencial dos oprimidos, uma irresistível atração pelo opressor. Pelos seus padrões de vida. Participar destes padrões constitui uma incontida aspiração. Na sua alienação querem, a todo custo, parecer com o opressor. Imitá-lo. Segui-lo.”

Paulo Freire   

Livro: Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2023 – Escrito em 1968, durante seu exílio no Chile) | Autor: Paulo Freire | Página: 68

“A verdadeira escuta é um ato político, porque ela suspende os lugares constituídos para colocar todo centro e poder nas palavras que estão efetivamente sendo ditas, independentemente de quem as está pronunciando. Quando as práticas feministas insistem na importância da interrupção da fala da mulher pelo homem (manterrupting), do silenciamento, na desclassificação (gaslighting), na tradução ou apropriação de ideias (bropriating), na determinação do sentido da conversa (mansplaining) que os homens habitualmente impõem às mulheres, elas extão denunciando exatamente isso. É daí que veio a noção de ‘lugar de fala’, (…).”

Christian Dunker e Cláudio Thebas  

Livro: O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas (Ed. Planeta, 2021) | Autores: Christian Dunker e Cláudio Thebas | Páginas: 96 a 97

“Percebi como essa atitude de ‘boa educação’ nas situações erradas realmente sufocava a mulher em vez de permitir que respirasse.”

Clarissa Pinkola Estés  

Livro: Mulheres que correm com os lobos (Editora Rocco, 2018 – publicado originalmente em 1992) | Autor: Clarissa Pinkola Estés | Página: 381