“O Povo, tendo esgotado todo o sofrimento, romperá em excessos.”

Joaquim Felício dos Santos sobre protesto dos moradores do Tijuco contra o fiscal dos diamantes Caetano Pinto Ferraz em 1826

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 319

“Oh! Meu Deus! Quanto os homens se fazem surdos á voz da verdade!”

Joaquim Felício dos Santos, 1815

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 318

“Vinde pois, meu filho, segui-me, eu vos levarei somente junto destes sepulchros. É o caminho de todos os homens não há um que não passe por ele: vossos paes o trilharão, e vós também o trilhareis. Entrai um pouco durante a vida, onde se vos deve conduzir depois da morte. Considerai com descanso estes ossos secos, e mirrados e estes esqueletos horrendos, separai se vós podeis o pobre do rico, o nobre do mecânico, o príncipe do vassalo: achai por ventura alguma aparência de distincção, alguma sombra de belleza, algum resto de grandeza, e de fortuna? (…) Todos aqui são iguaes, todos andam de rojo na poeira, todos chamão-se mortos; todos tem por morada a terra, por ornamento a pudridão, por sociedade os bixos e o nada por riquezas.”

1815 – Trecho de sermão do padre João Floriano Corrêa de Sá na quarta-feira de cinzas

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 318

“Com efeito que bello ponto de vista para julgar dos falsos brilhos do mundo, do que a triste obscuridão do tumulo? Quanto o seu horrorozo silêncio, é uma eloquente refutação das vaidades do século! Quanto o seu lugubre espetáculo apaga as ideias de fantasmas especiosos! Lisongeiras distinções! Não; vós não tendes se não um atractivo débil, desde que vós chegaes às portas da morte.”

1815 – Trecho de sermão do padre João Floriano Corrêa de Sá na quarta-feira de cinzas

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Páginas: 317 a 318

“Vimos por estes dias os horrores da morte civil, bem comparáveis com os da morte natural: os prantos retumbavam nas casas destes desgraçados, os parentes e amigos concorriam de todas as partes para suas últimas despedidas: a aflição, a consternação e a palidez da morte se mostravão nos rostos destas victimas inocentes; uns desmaiarão ao ouvir a intimação das suas sentenças, outros chamavam o Ceu por testemunha de tanta crueldade e de tanta injustiça.”

Trecho de um segundo documento do povo do Tijuco a Dona Maria I, Rainha de Portugal em 1799

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 314

“Representamos e expomos em terceiro lugar o § 15 da mesma lei que dá o fatal poder ao Intendente dos diamantes de nos punir com a pena de morte civil, sem sermos ouvidos, sem appellação, agravo, ou recurso algum.”

Trecho de documento do povo do Tijuco contra o governo de João Inácio e fiscal João da Cunha, a Dona Maria I, Rainha de Portugal em 1799

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 311

“A natureza não fez perfeitas todas as suas criaturas e pelo mesmo molde; pelo contrário a beleza, proporção e harmonia das partes só foram concedidas a poucas, que ela caprichosamente quis favorecer; daqui nasceu a necessidade da intervenção da arte para suprir os defeitos físicos; e, se não nos enganamos, é esta a origem das modas, dos enfeites e dos postiços.”

Joaquim Felício dos Santos em “O Jequitinhonha – Ano I – N.º 27 – 10 de agosto de 1861

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 308

“A história dos tempos coloniais do desgraçado povo que habita este torrão diamantino, sujeito à autoridade com poder absoluto, e regido por leis peculiares, por assim dizer, uma colônia particular, isolada no imenso território do Brasil, não deixará de ser interessante a todo brasileiro. Foi esta população, por isso mesmo que existia em um solo rico, a que mais suportou os vexames e exacções do governo da Metrópole, de ambição insaciável, que só procurou tirar todo proveito de nosso país, pouco lhe importando sua prosperidade se não era para enriquecer o Erário Régio.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 304

“A operação de lavagem, principalmente em cascalho pobre, é a mais fastidiosa da mineração; por isso alguns mineiros proíbem que os escravos cantem na lavadeira. A monotonia dos cantos africanos produz tal sonolência que os vigias caem dominados pelo sono. Dormindo os vigias, é a ocasião azada para o extravio dos diamantes.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 298 – Nota de Rodapé

“Um mau exemplo é quase sempre contagioso.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 298

“Chegaram muito boas notícias pelo correio de 6 do corrente; porém a imagem horrível da morte, que nos assusta e arrodeia, não permite que as aplaudamos com aquele entusiasmo patriótico, que sempre nos animava. Deixemos tão grande fortuna para as regiões mais felizes de nossa querida pátria, que enquanto ao Serro só é dado hoje conhecer que os bens deste mundo são todos transitórios e momentâneos, e que a um leve aceno do Onipotente tudo sucumbe e se aniquila. Deixemos que povos mais felizes do que nós se dêem parabéns pelo completo triunfo da causa da Nação; nós só podemos por pouco tempo acompanhar seus hinos de satisfação, uma vez que nossos corpos, já mirrados pela fome, em breve serão alimento das aves de rapina pelas ruas e praças públicas.”

Número 82 do jornal Diamantino, sobre o período de fome pelo qual passou a vila devido a irregularidade das chuvas em 1832 e a sua falta absoluta em 1833.

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 288

Picuá é uma pequena peça oca, cilíndrica, de chifre ou de qualquer outra matéria, em que os mineiros costumam guardar os diamantes que extraem.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 282 – Nota de Rodapé

“Em 1823 introduziu na Província da Bahia uma porção de raiz de araruta (Maranta indica). A cultura desta raiz tornou-se tão próspera em algumas vilas do Recôncavo, que constitui hoje um ramo de exportação, além de grande porção de fécula, que se consome na província.”

Joaquim Felício dos Santos sobre algumas plantas exóticas que Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá introduziu em sua fazenda na Bahia

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 280

“Há um encanto infindável neste torrão, que se chama Distrito Diamantino, todo coberto de alpestres, serranias alcantiladas, escabrosas, escavadas de profundos abismos e insondáveis precipícios; com seus campos cortados, perfurados, revolvidos pelos trabalhos da mineração, semelhante a uma imensa chaga do globo. Todo filho daqui, em qualquer parte e posição em que se veja, lembra-se de sua pátria com um vivo sentimento de saudade.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 280

“Não quiseram a união, regeitão-nos como irmãos, verão a separação, ter-nos-hão como inimigos.”

Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá em resposta a Corte Portuguesa que queria ver novamente o Brasil, já elevado a reino, reduzido novamente a Colônia.

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 278

“Na mesma ocasião o Conselho determinou a demolição do padrão de infâmia levantado em Vila Rica há trinta anos em opróbio ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que fora executado em 1792, como chefe da Conjuração Mineira. Ninguém ignora essa história. Na sentença proferida contra o ilustre condenado se mandava que ele fosse enforcado e depois esquartejado; seus quartos levados aos lugares em que os conjurados se reuniam para seus trabalhos clandestinos; sua cabeça levada à Vila Rica, e exposta em um alto poste no lugar mais público da vila; arrasada a casa em que morava na mesma vila e o solo salgado, para que nele não mais se edificasse, e que aí se levantasse um padrão de infâmia com uma inscrição, que perpetuasse o crime e o castigo. Seus filhos e netos foram declarados infames, e despojados de todas as honras cívicas, e esbulhados de todos os seus bens.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 275

“O povo sempre foi bom em todos os tempos e lugares; os encarregados de dirigi-lo são quase sempre quem o levam a desvariar.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 274

“Mas nesses homens dos primeiros tempos sobejava o patriotismo. (…) Fariam mais se o exigisse o bem da Pátria. Era belo esse tempo de virtudes cívicas.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 273

“Mas eram belos esses tempos: os povos confraternizavam, as inimizades se esqueciam, as rivalidades se desvaneciam; porque unia-os uma causa, um interesse em comum; dominava-os um único amor, o da liberdade; animava-os um só espírito, o patriotismo.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 267