“Tanto a festa quanto a celebração tem uma origem religiosa. A palavra latina feriae significa as ações próprias do culto religioso de um determinado tempo. Fanum significa ‘sagrado, um lugar consagrado a uma deidade’. A festa começa onde cessa o tempo cotidiano pro-fano (literalmente: o que se localiza antes das cercanias sagradas).”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 113

“A festa é o evento, o lugar onde estamos junto com os deuses, onde inclusive nós próprios nos tornamos divinos. Os deuses se alegram quando os seres humanos jogam e brincam; os seres humanos jogam e brincam para os deuses. Se vivemos uma época desprovida de celebrações, já não temos mais qualquer relação com o divino.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 111

“Nossos antigos faziam consistir o esplendor do culto em banquetes de prata, em damascos ricos, em suntuosas alfaias, placas de ouro, pondo em contribuição tudo, menos a natureza. Deus era para eles um potentado assírio, um faraó, que só em tronos de ouro, em tapeçarias de luxo se comprazia de ser adorado. Nas igrejas pobres o culto era uma tristeza.

Entretanto, a verdade é que o cristianismo, sendo por essência a religião do espírito, já não está em perigo de confundir o seu culto com as festas naturalistas do paganismo, e a Igreja quer flores, quer música e também o concurso gracioso das belas artes.

A Capela das Irmãs, ornada lindamente e provida de utensílios e parâmetros brilhantes, serviu de modelo às igrejas de Mariana. Os moços que se ordenavam, adquirindo o zelo com que no seminário se revestia o culto, levavam para as mais remotas paragens o gosto pelo asseio e adorno dos altares; ao passo que as alunas que saíam do colégio, executando trabalhos de bastidor e fazendo flores artificiais, popularizaram sobretudo as festas consagradas à Virgem, como hoje se celebram as mais encantadoras das liturgias católicas.

Visitando as paróquias de sua diocese, Dom Viçoso, como se comprazia em achar as igrejas bem tratadas, melhorou sensivelmente o culto e concorreu para despertar no povo a ideia do belo como essencial à contemplação divina; (…).”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 134

“O currículo se pautou pela legislação em vigor (lei mineira n. 445/1849), constando das cadeiras de Latinidade, Francês, Inglês, História, Geografia, Aritmética, Geometria, Trigonometria e Álgebra. Durante a década de 1850, e ainda conforme legislação específica, foram anexadas as cadeiras de Direito Eclesiástico e de Teologia e, na década seguinte, as de Filosofia e Retórica. Contudo, a ampliação e a retração do currículo eram costumeiras, dependendo da disponibilidade de professores e regentes. Com atenção especial à formação moral e aos fundamentos da reforma clerical, o regulamento do seminário prescrevia atividades diárias, em tempos esquadrinhados sob vigilância e controle permanentes.”

Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 132

“Confiando, pois, a terceiros esse trabalho, não viu que no inventário desapiedosamente incluíram e foram avaliadas, como quaisquer trastes de seminário, as santas imagens, havia tantos anos expostas à contemplação de nossos antepassados. Santo Inácio, São Bento, São Bernardo, os crucifixos, a Virgem da Boa Morte, a Senhora das Dores, e esta com as suas roupas e adornos; nenhuma escapou a tanta profanação, quando, por direito civil e também por direito romano, sem se falar no canônico, as coisas religiosas, as imagens sagradas estão fora do comércio; e não têm valor. E, com efeito, imagine-se a venerável figura da Mater Dolorosa, que todos os anos percorria a cidade, na comemoração dos Passos, valendo 40$000 aos olhos de seus devotos comovidos e prosternados! De uma tal espécie de profanação não usaram os oficiais do juízo que inventariaram e avaliaram os bens do Santuário de Congonhas em agosto de 1827.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 127 a 128 e 31 a 32

“O Padre Diogo Antônio Feijó (1784-1843), de posições liberais, propôs a abolição do celibato, a repressão ao tráfico atlântico de escravos e combateu alguns dos traços autoritários das instituições do Estado. Eleito deputado por São Paulo às Cortes de Lisboa, em 1821, defendeu uma reforma da Igreja com bases na Constituição Civil do clero da França. Criou a Guarda Nacional como ministro da Justiça, em 1831, e como senador defendeu a revisão do habeas corpus. Em 1835, foi eleito regente do Império, após a proclamação do Ato Adicional, que alterou a composição da Regência de trina para uma. Em 1837, renunciou ao cargo e nomeou seu adversário político, Pedro de Araújo Lima, para a regência seguinte.”

Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 118

“A Igreja do Brasil, de 1835 até a Maioridade do segundo imperador, atravessou uma fase terrível. O clero, eivado de sentimentos impuros, dominado por ideias anárquicas, frisando ao racionalismo, dividiu-se, e uma grande parte dele, a maioria talvez, pretendeu desbancar a disciplina da Igreja, tomando o celibato por pedra de escândalos. Como a Igreja era de fato a carreira mais fácil aos moços talentosos, que se ordenavam por simples interesse e nenhuma vocação, graças à condescendência e ao pouco escrúpulo dos bispos, como já temos feito notar, ocuparam elevadas posições políticas, figuraram nas câmaras [parlamentares] e até se apoderaram da Regência na pessoa do Padre Diogo Antônio Feijó, estadista de alto valor, como foi homem de extraordinário mérito.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 118 | Padre Diego Feijó (1784 – 1843), entre outras coisas, propós a abolição do celibato e repressão ao tráfico atlântico de escravos.

“No entanto, não são do mesmo Criador e da mesma Criação o espetáculo inverso, da mesma Natureza, e o do doloroso e degradante estado a que se deixa descer imensa porção da criatura humana? Os pavorosos cataclismas dos terremotos, dos vulcões, dos tufões, das enchentes a destruição do trabalho […]. Meter o diabo nisto, como costumam fazer os teologistas, é sofisma puerial e tolo, pois não destrói ele o pressuposto da onipotência divina?”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 18

🔖 Leia outra frase que aborda o mesmo tema:

“(…) os canonistas queriam que a autoridade dos reis fosse comparada à lua, recebendo sua luz do sol, que era o papa; (…).”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 77 | Canonista: pessoa que estuda e atua no direito canônico (leis da igreja)

“Dessas folias, diga-se, como se poderiam condenar as do Rosário, se eram as únicas a dar ocasião de desafogo aos pobres africanos que, com suas danças características, com o seu congado, ao som dos tristes instrumentos, restos de sua pátria, aqui viviam, ao menos pela ilusão de um dia, as cerimônias e os usos de seus fetiches? Fingiam-se de livres, tinham seu rei, sua rainha e seus generais, dançavam e cantavam. Quem teria ânimo de separá-los desses regozijos?”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 73

“Recordações da Idade Média: aqui também os artífices quiseram gozar de suas irmandades. Os carpinteiros festejavam a São José; os músicos, a Santa Cecília; os homens do foro e os letrados em geral, a São João Evangelista; e os médicos, a São Lucas. Enfim, o único sodalício comum era de São Miguel, em cuja balança a justiça a todos pesava incorruptível, e o escravo podia valer, na balança, como provavelmente valia, mais que o senhor.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 60

“O espírito de associação, natural ao homem, se se consentia em coisas religiosas; e nessas suntuosas, porventura belíssimas, obras de arte, inspiradas em sentimentos íntimos da alma, temos o prodigioso poder das pequenas forças coligadas para um mesmo fim. Nada mais fraco e miserável que os infelizes escravos; e até eles, de migalha em migalha, edificaram seus templos ao nível dos mais formosos. Hoje nos parece demasiado o número de igrejas, mas eram necessárias. A sociedade estava profundamente dividida em classes e até em cores; pelo quê se fizeram diversos santuários, para que à vontade orassem os fiéis de cada agrupamento.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 59 a 60

“Em 1712, como vimos na História Antiga, o rei, já então Dom João V, querendo favorecer a serviço dos paulistas, elevou à categoria de cidade a vila de São Paulo, com a promessa de um bispado. É preciso relembrar que as terras do Brasil, pertencendo ao senhorio de Cristo, só vilas podiam ter. As cidades exigiam o município em terra livre, e por isso o rei, como soberano, podia cria-las, mas primeiro, como grão mestre de Cristo, havia de emancipá-las a terra, a pretexto de propagar a fé com a criação de bispados. Porque o papa também de seu lado não instituía bispos que residem em vilas, em terras de senhorio. Daí a promessa de um bispado para elevar São Paulo a cidade.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 55

“Como num vasto descampado cheio de paganismo, encontrava-se uma ou outra casa humilde e modesta da família cristã, de onde se irradiou a fé, e o mundo converteu-se pela educação de gerações novas (…).”  

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 53 a 54

“O Imperador Valeriano, apertado por dinheiro, ordenou a confiscação dos objetos preciosos pertencentes à Igreja. Em consequência, o Prefeito Cornélio Seculares mandou intimar São Lourenço, arquidiácono da Igreja romana, a lhos entregar. O santo, porém, prevenido, os havia distribuído aos pobres, dizendo serem os verdadeiros donos. Preso, foi queimado numa grelha a 10 de agosto de 258, (…).”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 42

“No território das Minas Gerais, a Coroa fez bom negócio com a Igreja, ficando com os recursos dos dízimos, que eram lucrativos, mesmo quando passou a pagar as côngruas dos vigários ou dos párocos encomendados, cujo número foi insuficiente para as necessidades da população. Diogo indicou que os dízimos aumentaram a receita do Estado, na medida em que a sua contrapartida, que eram as despesas com a religião, foi sempre insatisfatória. O leitor é levado a concluir, então, que o Estado foi a causa primária dos emolumentos ‘excessivos’ dos párocos, ou da cobrança ‘odiosa’ aos fiéis, em troca dos serviços pastorais.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 23 | Côngrua: valor pago ao padre para seu sustento