“A Igreja do Brasil, de 1835 até a Maioridade do segundo imperador, atravessou uma fase terrível. O clero, eivado de sentimentos impuros, dominado por ideias anárquicas, frisando ao racionalismo, dividiu-se, e uma grande parte dele, a maioria talvez, pretendeu desbancar a disciplina da Igreja, tomando o celibato por pedra de escândalos. Como a Igreja era de fato a carreira mais fácil aos moços talentosos, que se ordenavam por simples interesse e nenhuma vocação, graças à condescendência e ao pouco escrúpulo dos bispos, como já temos feito notar, ocuparam elevadas posições políticas, figuraram nas câmaras [parlamentares] e até se apoderaram da Regência na pessoa do Padre Diogo Antônio Feijó, estadista de alto valor, como foi homem de extraordinário mérito.”
Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)
Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 118 | Padre Diego Feijó (1784 – 1843), entre outras coisas, propós a abolição do celibato e repressão ao tráfico atlântico de escravos.
