“Um comportamento que dicotomiza a figura feminina: ou é santa ou é prostituta. De qualquer forma, é interessante como a recusa de sexualizar a mulher se contrapõe, a todo instante, à tendência a sexualizá-la de forma perversa. Veja, por exemplo, o uso simples dos adjetivos honesto e sério. O que entendemos por ‘homem honesto’ ou ‘sério’ é muito diferente do que queremos dizer com ‘mulher honesta’ ou ‘séria’. Um homem indignado pode ter o seu comportamento analisado de diversas formas. Idêntico comportamento na mulher gera explicações referentes à suposta ‘precariedade’ da sua vida sexual. De um homem, no seu serviço, exige-se competência; de uma mulher, que também seja bonita e charmosa.
A própria mulher tem em si mesma esse tecido ambíguo da exposição e da negação da sexualidade. É ensinada desde cedo a ser vaidosa, insinuante. Mas deve ir até certo ponto, no limite da decência (?!).”
Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 363
