“Segundo o direito ateniense, Sócrates era um criminoso, e a sua condenação nada tinha de injusto. Contudo, o seu crime, a saber, a independência do seu pensamento, era útil não só à humanidade mas também à sua pátria: servia para preparar uma moral e uma fé novas de que os atenienses necessitavam naquele momento, porque as tradições de que tinham vivido até então já não estavam em harmonia com as suas condições de existência.”

Émile Durkheim     

Livro: As regras do método sociológico (Martin Claret, 2006 – Publicado originalmente em 1895) | Autor: Émile Durkheim | Páginas: 86 a 87

“Nos tempos de Nietzsche a juventude burguesa ainda queria parecer velha. Naquela época, juventude era antes uma desvantagem na carreira. Recomendavam-se meios de fazer a barba crescer mais depressa, óculos eram símbolo de status. Imitavam-se os pais usando colarinho duro, os adolescentes eram enfiados em casacas e aprendiam a andar da maneira comedida.”

Rüdiger Safranski   

Livro: Nietzsche: biografia de uma tragédia (Geração Editorial, 2017) | Autor: Rüdiger Safranski | Página: 293

“… Eu fiz café e mandei o José Carlos comprar 7 cruzeiros de pão. Dei-lhe cédula de 5 e 2 de alumínio, o dinheiro que está circulando no paíz. Fiquei nervosa quando contemplei o dinheiro de alumínio. O dinheiro devia ter mais valor que os gêneros. E no entretanto os gêneros tem mais valor que o dinheiro.

Tenho nojo, tenho pavor

Do dinheiro de alumínio

O dinheiro sem valor

Dinheiro do Juscelino

Carolina Maria de Jesus  

Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 126 a 127 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo. | Em 1956 o governo de Juscelino Kubitschek lança moedas de alumínio.

“Pensemos em Henry Ford, o fundador da Ford Motor Company. Um dos homens mais ricos do mundo no século XX, Ford era uma versão moderna do tipo de demagogo extremista contra o qual Hamilton advertira. Usando o seu semanário Dearborn Independent como um megafone, ele vociferava contra banqueiros, judeus e bolcheviques, publicando artigos que afirmavam que os interesses bancários judaicos estavam conspirando contra os Estados Unidos. Suas opiniões atraíram elogios de racistas em todo o mundo. Ele foi mencionado com admiração por Adolf Hitler em Minha Luta e descrito pelo futuro líder nazista Himmler como ‘um dos nossos combatentes mais valorosos, importantes e engenhosos’. Em 1938, o governo nazista o condecorou com a Ordem de Mérito da Águia Alemã.”

Steven Levitsku e Daniel Ziblatt  

Livro: Como as democracias morrem (Zahar, 2018) | Autores: Steven Levitsky e Daniel Ziblatt | Página: 50

“Temos absoluta confiança no Titanic. Acreditamos que é um navio inafundável.”

Philip A. S. Franklin, vice-presidente da International Mercantile Marine Company, proprietária do Titanic   53

Livro: Você está prestes a cometer um erro terrível: Como lutar contra as armadilhas do pensamento e tomar decisões melhores (Objetiva, 2021) | Autor: Olivier Sibony | Página: 53

“Não há história sem homens, como não há história para os homens, mas uma história de homens que, feita por eles, também os faz, como disse Marx.”

Paulo Freire

conscientização.” Paulo Freire    74

Livro: Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2023 – Escrito em 1968, durante seu exílio no Chile) | Autor: Paulo Freire | Página: 175

“Apenas 19 quilômetros de estrada separam Belo Horizonte da antiga Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabuçu, à marem do lendário Rio das Velhas. Sabará, ‘A Fidelíssima’. Fidelíssima por quê? Invenção de Pedro I. Consta que em 1674, quando aqui chegou Borba Gato procurando esmeraldas à frente da Bandeira de seu sogro Fernão Dias, os índios fugiram, ganhando a outra margem, e deixaram para trás as velhas que não conseguiam acompanhá-los – daí o nome do rio.”

Fernando Sabino sobre o Rio das Velhas que passa na cidade de Sabará em Minas Gerais

Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 165 – Crônica: “A Fidelíssima”

“Não é possível olhar para o futuro por meio de uma projeção ingênua do passado.”

Nassim Nicholas Taleb    

Livro: Antifrágil – Coisas que se beneficiam com o caos (Ed. Objetiva, 2020) | Autor: Nassim Nicholas Taleb | Página: 247

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“Não era segredo que a saúde dentária dos americanos estava em rápido declínio. (…) Quando o governo passou a recrutar homens para a Primeira Guerra Mundial, tantos recrutas tinham dentes podres que os oficiais diziam que a má higiene dentária era um risco para a segurança nacional.”

Charles Duhigg

Livro: O Poder do Hábito (Ed. Objetiva, 2012) | Autor: Charles Duhigg | Página: 49

🔖 Outra citação que fala sobre o mesmo tema:

“Essa pacificação do nosso passado militante contribui para nossa dominação no presente. De fato, o poder se serve dessa narrativa para ensinar lições a movimentos recentes. Os padrões de respeitabilidade são estabelecidos para reprimir a raiva e torná-la indigna.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 105

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“A colonização é um acontecimento/período, e o colonialismo é um processo/movimento, um movimento social total cuja perpetuação se explica pela persistência das formações sociais resultantes dessas sequencias.”

Peter Ekeh    

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 41

“Eles contestam a economia-ideologia da falta, essa ideologia ocidental-patriarcal que transformou mulheres, negros/as, povos indígenas, povos da Ásia e da África em seres inferiores marcados pela ausência de razão, de beleza ou de um espírito naturalmente apto à descoberta científica e técnica. Essa ideologia forneceu o fundamento das políticas de desenvolvimento que, grosso modo, dizem: ‘Vocês são subdesenvolvidos, mas podem se tornar desenvolvidos, desde que adotem nossas tecnologias, nossos modos de resolver os problemas sociais e econômicos. Vocês devem imitar nossas democracias, o melhor dos sistemas, pois não sabem o que é liberdade, respeito pelas leis, separação de poderes’.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 39 | Contexto: missão civilizatória

“Este mundo europeu nunca conseguiu ser hegemônico, mas ele se apropriou, sem hesitar e sem se envergonhar, de saberes, estéticas, técnicas e filosofias de povos que ele subjugava e cuja civilização ele negava. Nosso combate se posiciona claramente contra a política do roubo justificado, legitimado e praticado sob os auspícios ainda vivos de uma missão civilizatória.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 39 | Missão civilizatória: prática de dominação aplicada sobre colônias. Ex.: Catequização dos Índios.

“Na sequência do que escreveu Frantz Fanon, ‘A Europa é literalmente uma criação do Terceiro Mundo’, pois foi construída sobre o roubo das riquezas do mundo e, portanto, ‘a riqueza dos países imperialistas é também nossa riqueza’, (…).”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Páginas: 33 e 34

“Chamo esse feminismo de civilizatório porque ele adotou e adaptou os objetivos da missão civilizatória colonial, oferecendo ao neoliberalismo e ao imperialismo uma política dos direitos das mulheres que serve a seus interesses.”

Françoise Vergès  

Livro: Um feminismo decolonial (Editora UBU, 2020) | Autor: Françoise Vergès | Página: 17 | Missão civilizatória: prática de dominação aplicada sobre colônias. Ex.: Catequização dos Índios.