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“Nossos antigos faziam consistir o esplendor do culto em banquetes de prata, em damascos ricos, em suntuosas alfaias, placas de ouro, pondo em contribuição tudo, menos a natureza. Deus era para eles um potentado assírio, um faraó, que só em tronos de ouro, em tapeçarias de luxo se comprazia de ser adorado. Nas igrejas pobres o culto era uma tristeza.

Entretanto, a verdade é que o cristianismo, sendo por essência a religião do espírito, já não está em perigo de confundir o seu culto com as festas naturalistas do paganismo, e a Igreja quer flores, quer música e também o concurso gracioso das belas artes.

A Capela das Irmãs, ornada lindamente e provida de utensílios e parâmetros brilhantes, serviu de modelo às igrejas de Mariana. Os moços que se ordenavam, adquirindo o zelo com que no seminário se revestia o culto, levavam para as mais remotas paragens o gosto pelo asseio e adorno dos altares; ao passo que as alunas que saíam do colégio, executando trabalhos de bastidor e fazendo flores artificiais, popularizaram sobretudo as festas consagradas à Virgem, como hoje se celebram as mais encantadoras das liturgias católicas.

Visitando as paróquias de sua diocese, Dom Viçoso, como se comprazia em achar as igrejas bem tratadas, melhorou sensivelmente o culto e concorreu para despertar no povo a ideia do belo como essencial à contemplação divina; (…).”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 134

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