0
(0)

“A planta e o inseto morrem no fim do verão; o animal e o homem, ao cabo de alguns anos: a morte ceifa incansavelmente. Entretanto, é como se não fora no todo assim, tudo existe sempre no seu lugar e na sua ocasião, exatamente como se tudo fosse imperecível. A planta sempre verdeja e floresce, o inseto zumbe, o animal e o homem subsistem em indestrutível juventude, e as cerejas, que já saboreamos mil vezes, nós as temos novamente diante de nós a cada verão. Também os povos permanecem como indivíduos imortais, mesmo se às vezes mudam de nome. Sua conduta, suas ações, seu sofrimento são sempre os mesmos em todos os tempos, ainda que a história pretenda nos contar sempre algo novo: ela é como um caleidoscópio, que em cada volta nos apresenta uma configuração nova, entretanto, na verdade, são sempre os mesmos elementos diante dos nossos olhos. Desse modo, impõe-se-nos irresistivelmente o pensamento de que o nascimento e a morte não afetam em nada a essência verdadeira das coisas: esta permanece ilesa, é portanto imperecível, e permanece em cada ser, continuamente e sem fim.”

Arthur Schopenhauer

Livro: Da morte. Metafísica do Amor. Do sofrimento do Mundo. (Ed. Martin Claret, 2004 – Escrito em 1851) | Autor: Arthur Schopenhauer | Páginas: 40 a 41 – Da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si

O que você achou deste conteúdo?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Please follow and like us:

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *