“Se nos tempos coloniais trabalhávamos para a sustentação da Corte de Lisboa, hoje trabalhamos para a do Rio de Janeiro. Que lucramos com a independência?”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 226

“Proibições com penas as mais rigorosas não nos permitiam utilizar-nos das riquezas, que a natureza com tanta prodigalidade disseminara sobre nosso solo. Todo o comércio era exercido por monopólios; toda a indústria fabril era proibida aos brasileiros; exauria-se a colônia para enriquecer os negociantes de Lisboa; muitos gêneros de primeira necessidade, que abundavam em nosso país, não podíamos obter senão comprando-os às companhias portuguesas, e quando os importávamos vinham sobrecarregados de pesados direitos.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 225

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

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“É o espírito do avaro ambicioso, que destrói o que não lhe pode ser útil, só para não aproveitar a outrem. A política de então não compreendia que da prosperidade do individuo é que depende a do Estado.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 205

“Pobre povo! Sempre alegre, folgazão, descuidado, impressionável, na embriaguez de um momento de alívio julgava-se feliz e livre do despotismo; (…). O presente o inebriava, e não deixava enxergar através dos atos (…).”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 195

“O Santo Ofício, como já dissemos, servia de algoz aos fracos governos de Dona Maria I e do Príncipe-Regente: era quem os descartava de algum súdito importuno, quando não tinham a necessária coragem de fazê-lo abertamente. A Corte portuguesa era toda voltairiana; e  por consequência não era por espírito religioso que se perseguiam os pedreiros-livres, e que se procurava punir a liberdade em matéria religiosa em um tempo em que dominava o filosofismo.”  

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 188

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

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“A Inconfidência de Minas tinha sido dirigida pela Maçonaria. Tiradentes e quase todos os conjurados eram pedreiros-livres.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 188

“A política da época servia-se da Inquisição como de um instrumento para guerrear seus inimigos, ou abafar as ideias infensas ao regime do absolutismo. Se perseguiam-se os chamados pedreiros-livres, não era tanto por fazerem eles parte de uma associação, que fora condenada e excomungada por Clemente XII e Bento XIV, mas principalmente por serem os que mais concorriam para a disseminação dos princípios revolucionários, cujo foco existia na França.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 187

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

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“… Qual foi o meu crime? Tirar diamantes da terra. Mas quem foi que ahi os escondeu, senão Deos, para nós com o nosso trabalho irmos procura-los? Que direito, portanto, há para se nos proibir a mineração? Deos creou os quatro elementos para goso dos homens: o ar que respiramos, a água que bebemos, o fogo que nos aquece, e a terra para d’ela tirarmos todo o proveito, já cavando-lhe as entranhas para extrahirmos os mineraes e pedras preciosas, já cultivando-a para alimentarmo-nos, já caçando nas suas matas e campos. Sou proscripto e criminoso por ter querido gosar dos benefícios concedidos pela Providencia…”

Carta escrita em São João Del Rei, em 15 de fevereiro de 1796 por um despejado a um seu irmão residente no Tijuco

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 169 (Nota de Rodapé)

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

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“Contou-nos um venerável ancião, que as primeiras obras na língua francesa, que apareceram no Tijuco, foram o Contrato Social, o Espírito das Leis e o Telêmaco; as mais eram em latim ou português.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168 (Nota de Rodapé)

“De todos os pontos da capitania o Tijuco era o que entretinha relações mais imediatas, não só com a metrópole, (…), como com outros países da Europa, (…). Destas relações resultou que nós fomos dos primeiros conhecedores, e os mais ardentes entusiastas da grande agitação política e moral, por que passava a Europa no século XVIII. Nossa pequena sociedade neste canto do mundo também logo se animou com o mesmo espírito de filosofia dos enciclopedistas; seus livros eram procurados com sofreguidão, e suas ideias de liberdade aceitas com tanto mais predileção, quanto mais tínhamos necessidade de vê-las realizadas.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168

“A conspiração malograda de Minas, em 1789, foi um dos resultados das novas ideias em circulação. Os Estados Unidos da América haviam dado o primeiro exemplo de independência, e as demais colônias americanas agitavam-se com o espírito revolucionário. Não foi só o amor da independência, com o fim de sacudir o jugo da metrópole, o que animava os conjurados mineiros; foi, e principalmente, o ódio á monarquia, que tanto se havia desacreditado pelo egoísmo e tirania. Libertas quae sera tamem: tal seria a divisa da bandeira arvorada pelos conjurados. Daí provém o anátema injusto lançado contra seus heróis pela hipocrisia dos heliosistas modernos. Abafada a conspiração em seu princípio, o despotismo ainda teve seu dia de glória; mas os princípios não se perderam, pelo contrário ainda mais se fortificaram com a resistência, que encontraram na forma material.

O modo rápido e imprevisto, por que se abafou a conspiração mineira, não deu tempo para conhecer-se com exatidão a sua magnitude e a força com que poderia contar; é certo, porém, que tinha raízes em todos os pontos da capitania, e mesmo fora dela.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168

“As ideias dos enciclopedistas com rapidez propagaram-se por todo o mundo, pela facilidade da língua francesa; o Espírito das Leis e o Contrato Social constituíam o código da ciência política. No Brasil, apesar da proibição, ou talvez por causa dela, que excitava a curiosidade pública, eram essas obras introduzidas como contrabando, lidas com avidez; e assim nós também participávamos do influxo benéfico da grande revolução moral, que se realizava na Europa.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168

🔖 Leia outra frase sobre a curiosidade provocada pela proibição de livros:

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“Dir-se-ia um exército que marchava certo à vitória, ou que enviado pela Providência ia libertar a pátria ameaçada por bárbaros inimigos. Entretanto esse exército marchava para matar nossos irmãos, pobres párias do tempo, muitos dos quais levados à miséria, vítimas do despotismo dos mandões da metrópole, (…).”

Joaquim Felício dos Santos sobre o exército de mais de 200 soldados e 2 pesados canhões de grosso calibre, que em janeiro de 1782 chegou no Tijuco para combater os garimpeiros

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 150

“Por esta razão foi aqui proibido o exercício da advocacia. O alvará citado diz: ‘Sou servido prohibir que dentro do districto das terras diamantinas possa residir bacharel algum formado, debaixo das penas de ser remetido á sua custa ao Rio de Janeiro e de seis mezes de cadêa debaixo de chave nas prisões d´aquella Relação. Excluo porém os que forem naturaes das referidas terras, com tanto que n´ellas não exercitem a advocacia, porque exercitando-a incorrerão nas sobreditas penas’.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 135

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

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“Foi esta uma invenção bem engenhosa, digna de gênio e inspiração do despotismo: um filho podia denunciar o pai, um irmão o irmão, um amigo o amigo, um escravo o senhor, depois receber o prêmio da denúncia e ficar desconhecido o nome do denunciante!”

Joaquim Felício dos Santos sobre o clima de espionagem e denúncias em Diamantina

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 134

“Havia então alguns jovens brasileiros, entusiastas das ideias de liberdade, que só esperavam um chefe ou um sinal para se declararem em revolta contra o jugo da metrópole, como faziam então os anglo-americanos, certos de que o primeiro grito de emancipação seria repercutido por todo o Brasil.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 127

“Por este tempo a América Inglesa dava começo às guerras de sua independência; o espírito de liberdade, como um eflúvio elétrico, fazia estremecer todos os povos americanos. Já se falava em despotismos, tirania, independência, liberdade, direitos dos povos – palavras antes desconhecidas. Alguns escritos dos filósofos e livres pensadores da França, como objeto de contrabando, tinham-se introduzido entre nós e começávamos a sentir o peso do jugo metropolitano: a isto a Corte denominava contágio revolucionário, e a Inquisição, em sua linguagem mística, lepra hebraica.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Páginas: 125 a 126

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

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“Esta ordem de Nossa Senhora do Carmo é bem singular: nela só entram pessoas de cor branca, os negros e mulatos são excluídos. Nada é mais odioso e repugnante que a distinção de classes em uma religião, que nivelou todas as condições. Por certo não foi no Evangelho que os carmelitas encontraram o fundamento desta distinção. Assim são muitas coisas contra o verdadeiro espírito da religião cristã (…).”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 125

“Os habitantes da Demarcação Diamantina formavam como uma só família, regida por leis especiais e governada despoticamente por autoridades particulares. Vivíamos como se estivéssemos em um eterno bloqueio, isolados do resto da colônia, sendo-nos interdita toda a comunicação com os povos de fora. Ninguém podia julgar-se seguro em sua casa. O senhor via com desconfiança no escravo um inimigo oculto que denunciando-o obtinha a liberdade e partilhava seus bens com a Fazenda Real. A devassa geral, que se conservava sempre aberta, era como uma teia imensa, infernal, sustentada pelas delações misteriosas, que se urdia nas trevas, para envolver as vítimas, que muitas vezes faziam a calúnia, a vingança particular, o interesse e ambição dos agentes do fisco.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 109