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“A conspiração malograda de Minas, em 1789, foi um dos resultados das novas ideias em circulação. Os Estados Unidos da América haviam dado o primeiro exemplo de independência, e as demais colônias americanas agitavam-se com o espírito revolucionário. Não foi só o amor da independência, com o fim de sacudir o jugo da metrópole, o que animava os conjurados mineiros; foi, e principalmente, o ódio á monarquia, que tanto se havia desacreditado pelo egoísmo e tirania. Libertas quae sera tamem: tal seria a divisa da bandeira arvorada pelos conjurados. Daí provém o anátema injusto lançado contra seus heróis pela hipocrisia dos heliosistas modernos. Abafada a conspiração em seu princípio, o despotismo ainda teve seu dia de glória; mas os princípios não se perderam, pelo contrário ainda mais se fortificaram com a resistência, que encontraram na forma material.

O modo rápido e imprevisto, por que se abafou a conspiração mineira, não deu tempo para conhecer-se com exatidão a sua magnitude e a força com que poderia contar; é certo, porém, que tinha raízes em todos os pontos da capitania, e mesmo fora dela.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168

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