“Os habitantes da Demarcação Diamantina formavam como uma só família, regida por leis especiais e governada despoticamente por autoridades particulares. Vivíamos como se estivéssemos em um eterno bloqueio, isolados do resto da colônia, sendo-nos interdita toda a comunicação com os povos de fora. Ninguém podia julgar-se seguro em sua casa. O senhor via com desconfiança no escravo um inimigo oculto que denunciando-o obtinha a liberdade e partilhava seus bens com a Fazenda Real. A devassa geral, que se conservava sempre aberta, era como uma teia imensa, infernal, sustentada pelas delações misteriosas, que se urdia nas trevas, para envolver as vítimas, que muitas vezes faziam a calúnia, a vingança particular, o interesse e ambição dos agentes do fisco.”
Joaquim Felício dos Santos
Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 109
