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“A política da época servia-se da Inquisição como de um instrumento para guerrear seus inimigos, ou abafar as ideias infensas ao regime do absolutismo. Se perseguiam-se os chamados pedreiros-livres, não era tanto por fazerem eles parte de uma associação, que fora condenada e excomungada por Clemente XII e Bento XIV, mas principalmente por serem os que mais concorriam para a disseminação dos princípios revolucionários, cujo foco existia na França.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 187

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“Por este tempo a América Inglesa dava começo às guerras de sua independência; o espírito de liberdade, como um eflúvio elétrico, fazia estremecer todos os povos americanos. Já se falava em despotismos, tirania, independência, liberdade, direitos dos povos – palavras antes desconhecidas. Alguns escritos dos filósofos e livres pensadores da França, como objeto de contrabando, tinham-se introduzido entre nós e começávamos a sentir o peso do jugo metropolitano: a isto a Corte denominava contágio revolucionário, e a Inquisição, em sua linguagem mística, lepra hebraica.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Páginas: 125 a 126

“O Santo Ofício, como já dissemos, servia de algoz aos fracos governos de Dona Maria I e do Príncipe-Regente: era quem os descartava de algum súdito importuno, quando não tinham a necessária coragem de fazê-lo abertamente. A Corte portuguesa era toda voltairiana; e  por consequência não era por espírito religioso que se perseguiam os pedreiros-livres, e que se procurava punir a liberdade em matéria religiosa em um tempo em que dominava o filosofismo.”  

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 188

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