“No território das Minas Gerais, a Coroa fez bom negócio com a Igreja, ficando com os recursos dos dízimos, que eram lucrativos, mesmo quando passou a pagar as côngruas dos vigários ou dos párocos encomendados, cujo número foi insuficiente para as necessidades da população. Diogo indicou que os dízimos aumentaram a receita do Estado, na medida em que a sua contrapartida, que eram as despesas com a religião, foi sempre insatisfatória. O leitor é levado a concluir, então, que o Estado foi a causa primária dos emolumentos ‘excessivos’ dos párocos, ou da cobrança ‘odiosa’ aos fiéis, em troca dos serviços pastorais.”

Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 23 | Côngrua: valor pago ao padre para seu sustento

“Considerando que a velha e tradicional cidade mineira não é apenas ‘um museu de igrejas e um panteón de mitras’, mas ainda a Roma de Minas e relicário inestimável de obras artísticas.”

Diogo de Vasconcelos, historiador 

Livro: História da civilização mineira: Bispado de Mariana – Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação) (Autêntica Editora, 2014) | Página: 14 | Panteón: conjunto de homens ilustres – Mitra: ornamento usado por bispos, cardeais e papas. – Relicário: lugar para guardar relíquias

“‘Nenhum grande progresso pode efetivamente se realizar se não tende finalmente para a evidente consolidação da ordem’. Abrindo um parêntese: não estranhe a familiaridade que provoca a menção dos termos ‘Ordem e Progresso’, pois o dístico da nossa bandeira é de inspiração positivista.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires – citando frase de Comte   

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 182

“Uma das características dos Estados Autoritários é impedir o ensino da filosofia e silenciar pensadores, para garantir a obediência passiva dos cidadãos. Isso já aconteceu aqui no Brasil quando, a partir de 1971, a filosofia desapareceu do ensino secundário durante treze anos.”

Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins  

Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: Apresentação

“… Eu fiz café e mandei o José Carlos comprar 7 cruzeiros de pão. Dei-lhe cédula de 5 e 2 de alumínio, o dinheiro que está circulando no paíz. Fiquei nervosa quando contemplei o dinheiro de alumínio. O dinheiro devia ter mais valor que os gêneros. E no entretanto os gêneros tem mais valor que o dinheiro.

Tenho nojo, tenho pavor

Do dinheiro de alumínio

O dinheiro sem valor

Dinheiro do Juscelino”

Carolina Maria de Jesus  

Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 126 a 127 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo. | Em 1956 o governo de Juscelino Kubitschek lança moedas de alumínio.

“Alguns homens em São Paulo

Andam todos carimbados

Traz um letreiro nas costas

Dizendo onde é empregado.”

Carolina Maria de Jesus  

Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 121 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.

“A democracia está perdendo seus adeptos. No nosso país tudo está enfraquecendo. O dinheiro está fraco. A democracia é fraca e os políticos fraquíssimos. E tudo que está fraco, morre um dia.”

Carolina Maria de Jesus  

Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 39 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.

“Composto de fragmentos coloridos de madeira, papel, serragem, pedaços de plástico, sementes e até pipocas, este primor da arte popular, com a efêmera duração de um só dia, concebido espontaneamente noite a dentro pela população anônima da cidade, representa a mais autêntica manifestação criativa de sua devoção a Deus.”

Fernando Sabino sobre os tapetes da Procissão do Sábado de Aleluia em Minas Gerais

Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 175 – Crônica: “Vila Rica do Pilar”

“Apenas 19 quilômetros de estrada separam Belo Horizonte da antiga Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabuçu, à marem do lendário Rio das Velhas. Sabará, ‘A Fidelíssima’. Fidelíssima por quê? Invenção de Pedro I. Consta que em 1674, quando aqui chegou Borba Gato procurando esmeraldas à frente da Bandeira de seu sogro Fernão Dias, os índios fugiram, ganhando a outra margem, e deixaram para trás as velhas que não conseguiam acompanhá-los – daí o nome do rio.”

Fernando Sabino sobre o Rio das Velhas que passa na cidade de Sabará em Minas Gerais

Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 165 – Crônica: “A Fidelíssima”

“Onde mais poderíamos conceber reunião igual, senão em terra mineira, que é o paradoxo mesmo, tão mística que transforma em alfaias e púlpitos e genuflexórios a febre grosseira do diamante, do ouro e das pedras de cor? No seio de uma gente que está ilhada entre cones de hematita, e contudo mantém com o universo uma larga e filosófica intercomunicação, preocupando-se, como nenhuma outra, com as dores do mundo, no desejo de interpretá-las e leni-las? Um povo que é pastoril e sábio amante das virtudes simples, da misericórdia, da liberdade – um povo sempre contra os tiranos, e levando o sentimento do bom e do justo a uma espécie de loucura organizada, explosiva e contagiosa, como revelam suas revoluções liberais. São mineiros, esses profetas; mineiros na patética e concentrada postura que os armou o mineiro Aleijadinho; mineiros na visão ampla da terra, seus males, guerras, crimes, tristezas e anelos; mineiros no julgar friamente e no curar com bálsamos; no pessimismo; na iluminação íntima; sim, mineiros de cento e cinquenta anos atrás e de agora, taciturnos, crepusculares, messiânicos e melancólicos.”

Carlos Drummond de Andrade  

Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Páginas: 162 a 163 – Crônica: “Chá de Congonhas”

“Quem não tem vergonha, toma chá de congonha – diz o provérbio mineiro – referência a uma planta que costumava vicejar aqui.”

Fernando Sabino sobre a cidade de Congonhas – MG

Livro: A chave do Enigma (Ed. Record, 2001) | Autor: Fernando Sabino | Página: 161 – Crônica: “Chá de Congonhas”