“Pois, como poder existir é potência, segue que quanto mais realidade cabe à natureza de alguma coisa, tanto mais forças tem de si para existir; por isso o Ente absolutamente infinito, ou seja, Deus, tem de si potência de existir absolutamente infinita, e por causa disso ele existe absolutamente. Todavia muitos talvez não possam ver facilmente a evidência desta demonstração, já que estão acostumados a contemplar somente as coisas que fluem de causas externas; dentre elas, veem as que são feitas rápido, isto é, que existem facilmente e também perecem facilmente; ao contrário, julgam coisas mais difíceis de ser feitas, isto é, não tão fáceis de existir, aquelas às quais concebem pertencer muita coisa. Na verdade, para liberá-los destes prejuízos, não me dou o trabalho de mostrar aqui por que razão o enunciado o que é feito rápido, rápido perece é verdadeiro, (…). Mas basta notar apenas que não falo aqui de coisas feitas por causas externas, mas só de substâncias, que (…) não podem ser produzidas por nenhuma causa externa. Com efeito, coisas feitas de causas externas, (…) o que quer que tenham de perfeição, ou seja, realidade, deve-se totalmente à força de causa externa, e por isso a existência delas provém da só perfeição da causa externa e não da perfeição delas. Ao contrário, o que quer que a substância tenha de perfeição não se deve a nenhuma causa externa; por isso, também de sua natureza deve seguir sua existência, a qual, por conseguinte, não é dada mais que sua essência. A perfeição, portanto, não tira a existência da coisa, mas ao contrário a põe; a imperfeição, ao invés, tira-a, e por isso não podemos estar mais certos da existência de nenhuma coisa que da existência do Ente absolutamente infinito ou perfeito, isto é, Deus. Pois, visto que sua essência exclui toda imperfeição e envolve absoluta perfeição, por isto mesmo suprime toda causa de duvidar de sua existência, e dela dá a suma certeza, o que creio, será claro a quem prestar um pouco de atenção.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 63

“Poder não existir é impotência e, ao contrário, poder existir é potência (…). E assim, se o que agora existe necessariamente não são senão entes finitos, então os entes finitos são mais potentes que o Ente absolutamente infinito; e isto (…) é absurdo; logo, ou nada existe, ou necessariamente o Ente absolutamente infinito também existe. Ora, nós existimos, ou em nós ou em outro que existe necessariamente. Logo, o ente absolutamente infinito, isto é, Deus, existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 61

🔖 Leia a opinião de Descartes sobre o mesmo tema (Spinoza foi contemporâneo de Descartes, sendo este último, 36 anos mais velho):

…

“(…) se não pode ser dada nenhuma razão nem causa que impeça que Deus exista, ou iniba sua existência, certamente cumpre concluir que ele existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 61

“Deus, ou seja, a substância que consiste em infinitos atributos, do quais cada um exprime uma essência eterna e infinita, existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 59 | “Com efeito, atributo é aquilo que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela (…).” Benedictus de Spinoza, pg. 57

“(…) os que confundem a natureza divina com a humana facilmente atribuem a Deus afetos humanos, sobretudo enquanto ignoram também como os afetos são produzidos na mente.”

Benedictus de Spinoza

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 53 a 55

“Coisas que nada têm em comum uma com a outra também não podem ser entendidas uma pela outra, ou seja, o conceito de uma não envolve o conceito da outra.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | 5º Axioma. Axioma: Afirmação aceita como verdade, utilizada como ponto inicial para dedução de outras verdades.

🔖 Citações que expressam a mesma ideia:

…

“Tudo que é, ou é em si ou em outro.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | 1º Axioma. Axioma: Afirmação aceita como verdade, utilizada como ponto inicial para dedução de outras verdades.

“É dita livre aquela coisa que existe a partir da só necessidade de sua natureza e determina-se por si só a agir. Porém, necessária, ou antes coagida, aquela que é determinada por outro a existir e a operar de maneira certa e determinada.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | Para Spinoza, somente Deus é verdadeiramente livre.

🔖 Outra citação que expressa a mesma ideia:

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“Por Deus entendo o ente absolutamente infinito, isto é, a substância que consiste em infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 45 | “Com efeito, atributo é aquilo que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela (…).” Benedictus de Spinoza, pg. 57

“Uma obra de pensamento é um trabalho de interrogação sobre o presente como um não-saber à procura de seu próprio sentido e abertura de um campo de racionalidade novo que não cessará de ser retomado pelas obras de seus leitores. Com frequência, o trabalho do leitor pode nascer de um primeiro encontro com a obra, de uma relação muito imediata e ingênua que mantém com ela, mas que inquieta e provoca indagações. No desejo de encontrar respostas para elas, o leitor inicia um lento trabalho de reflexão que o faz sentir-se quase situado no interior do discurso de um outro que, embora à distância, tem algo a lhe dizer. Pouco a pouco, porém, a diferença histórica reabre um percurso que nos faz compreender que as questões e respostas do filósofo já não se confundem com as de quem o lê. Todavia, justamente quando a distância é reaberta, o discurso ligo ganha uma força inesperada, tornando-se capaz de suscitar de maneira nova questões que são nossas.”

Marilena Chaui  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Páginas: 9 a 10

“Um clássico, escreveu certa vez Merleau-Ponty, é aquele que sempre terá alguma coisa a nos dizer porque, ao pensar, nos deu a pensar e, no modo como enfrentou as questões de seu tempo e a eles ofereceu respostas, nos ensina a interrogar nosso próprio tempo. Sua obra é fecunda porque cria, por sua própria força, um campo novo de ideias no qual aprendemos a ouvir uma interrogação que abre caminho para a nossa.”

Marilena Chaui  

Livro: Ética – Espinosa (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 9

“As histórias apresentadas pela televisão, pela música popular, pelo cinema – e, sim, pelas mensagens comerciais – moldam grande parte da nossa cultura. Gostemos ou não, as mensagens que criamos ou encomendamos afetam a qualidade da consciência nos nossos tempos.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 376

🔖 Citações que abordam o mesmo tema:

…

“Nenhum campo de estudo seria mais importante do que a simples observação da realidade humana.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 375

🔖 Leia outras citações que expressam a mesma ideia:

…

“Usar símbolos religiosos em mensagens comerciais vulgariza esses símbolos e, desse modo, destrói as próprias instituições e ensinamentos que genuinamente satisfariam a sede espiritual mais profunda do mundo de hoje.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 370

“Todo conhecimento exige responsabilidade.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 364

“Se pararmos para pensar em quantas pessoas estão encontrando no consumo o único significado que têm na vida, não nos sentimos orgulhosos; sentimo-nos tristes ou mesmo ultrajados.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 361

“Por trás de qualquer conjunto de valores repousa um arquétipo.”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 348

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

…

“As empresas que desfrutam um sucesso duradouro possuem valores centrais e um propósito central que permanecem fixos enquanto suas estratégias e práticas empresariais se adaptam constantemente a um mundo em mutação.”

James C. Collins e Jerry I. Porras

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 347

“Talvez você já conheça a história dos três operários da construção civil: perguntou-se a cada um deles o que estava fazendo – o primeiro disse que estava quebrando pedras; o segundo disse que estava fazendo o que o chefe mandou; o terceiro disse que estava construindo uma catedral!”

Margaret Mark e Carol S. Pearson    

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Página: 345

🔖 Leia a mesma história contada de uma outra maneira por outro livro:

…

“‘No mundo medieval’, carpinteiros, secretários e jardineiros não se viam como criaturas que executavam tarefas servis, porque ‘cada um deles tinha um deus-padroeiro – Saturno, Mercúrio e Vênus, respectivamente -, indicando que, em cada caso, temas de profunda importância para a alma são encontrados na labuta cotidiana.”

Thomas Moore em “Cure of the soul: a guide to cultivating depth and sacredness in everyday life”  

Livro: O herói e o fora-da-lei – Como construir marcas extraordinárias usando o poder dos arquétipos (Ed. Cultrix, 2021 – 1ª Edição 2003) | Autoras: Margaret Mark e Carol S. Pearson | Páginas: 341 a 342