“Pois a perfeição das coisas é a estimar pela só natureza e potência delas, e por isso as coisas não são mais nem menos perfeitas em vista de deleitarem ou ofenderem os sentidos dos homens, de contribuírem ou repugnarem à natureza humana.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 121 | Por potência Spinoza quer dizer poder de existir

“Todas as noções com que o vulgar costuma explicar a natureza são tão somente modos de imaginar e não indica a natureza de coisa alguma, mas apenas a constituição da imaginação;(…).”

Benedictus de Spinoza    

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 121

🔖 Leia outra frase que expressa a mesma ideia:

…

“De fato, chamaram Bem a tudo que conduz à boa saúde e ao culto de Deus, e Mal, por outro lado, ao que é contrário a isso. E como esses que não entendem a natureza das coisas nada afirmam sobre elas, mas apenas as imaginam e tomam a imaginação pelo intelecto, por isso creem firmemente, ignorantes que são da natureza das coisas e da sua própria, haver ordem nas coisas. (…) Em seguida, as noções restantes também nada são além de modos de imaginar, pelos quais a imaginação é afetada de diversas maneiras, e não obstante são consideradas pelos ignorantes como os principais atributos das coisas porque, como já dissemos, creem que todas as coisas são feitas em vista deles próprios e dizem que a natureza de algo é boa ou má, sã ou podre e corrompida, conforme são afetados por ela. Por exemplo, se o movimento que os nervos recebem dos objetos representados pelos olhos conduz à boa saúde, os objetos pelos quais é causado são ditos belos, ao passo que os que provocam movimento contrário, feios. Em seguida, aos que movem o sentido pelas narinas, chamam cheirosos ou fétidos; (…). Tudo isso mostra suficientemente que cada um julgou acerca das coisas conforme a disposição do seu cérebro, ou melhor, tomou por coisas as afecções da imaginação. Por isso não é de admirar (…) que tenham nascido entre os homens todas as controvérsias de que temos experiência, dentre as quais finalmente o Ceticismo. Pois embora os corpos humanos convenham em muitas coisas, discrepam contudo em várias, e por isso o que a um parece bom, a outro parece mau; o que a um parece ordenado, a outro, confuso; o que a um é agradável, a outro, desagradável; e assim do restante, (…). Com efeito, está na boca de todos: cada cabeça uma sentença, cada qual abunda em opiniões, não há menos diferença entre cérebros do que entre gostos: estas sentenças mostram suficientemente que os homens julgam sobre as coisas conforme a disposição do seu cérebro, e que as imaginam mais do que as entendem.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 117 a 121

🔖 Leia outras frases que abordam o mesmo tema:

…

“E assim, mais e mais, não cessarão de interrogar pelas causas das causas, até que te refugies na vontade de Deus, isto é, no asilo da ignorância.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 117

“(…) é perfeitíssimo aquele efeito que é produzido imediatamente por Deus, e quanto mais algo precisa de muitas causas intermediárias para ser produzido, tanto mais é imperfeito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 115

“(…), não é preciso muito trabalho para que agora eu mostre que a natureza não tem para si nenhum fim prefixado e que todas as causas finais não são senão humanas ficções.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 115

🔖 Leia outra frase que aborda o mesmo tema:

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“Donde terem dado por assentado que os juízos dos Deuses de longe ultrapassam a compreensão humana, o que, decerto, seria a causa única para que a verdade escapasse ao gênero humano para sempre, não fosse a Matemática, que não se volta para fins, mas somente para essências e propriedades de figuras, ter mostrado aos homens outra norma da verdade; e além da Matemática, também outras causas podem ser apontadas (que aqui é supérfluo enumerar), as quais puderam fazer que os homens abrissem os olhos para esses preconceitos comuns e se dirigissem ao verdadeiro conhecimento das coisas.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 113 a 115

🔖 Leia outra frase que aborda o mesmo tema:

…

“Porém, enquanto buscavam mostrar que a natureza nunca age em vão (isto é, que não seja para uso do homem), nada outro parecem haver mostrado senão que a natureza e os Deuses, ao igual que os homens, deliram. Vê, peço, a que ponto chegaram as coisas! Em meio a tantas coisas cômodas da natureza, tiveram de deparar com não poucas incômodas: tempestades, terremotos, doença, etc., e sustentaram então que estas sobreviveram porque os Deuses ficaram irados com as injúrias a eles feitas pelos homens, ou seja, com os pecados cometidos em seu culto. E embora a experiência todo dia protestasse e mostrasse com infinitos exemplos que o cômodo e o incômodo sobrevêm igual e indistintamente aos pios e aos ímpios, nem por isso largaram o arraigado preconceito: com efeito, foi-lhes mais fácil pôr esses acontecimentos entre outras coisas incógnitas, cujo uso ignoravam, e assim manter seu estado presente e inato de ignorância, em vez de destruir toda essa estrutura e excogitar uma nova.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 113

🔖 Leia outras frases que abordam o mesmo tema:

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“(…) sustentaram que os Deuses dirigem tudo para o uso dos homens, a fim de que estes lhes fiquem rendidos e lhes tributem suma honra; donde sucedeu que cada um, conforme seu engenho, excogitasse diversas maneiras de cultuar Deus para que este lhe tivesse afeição acima dos demais e dirigisse a natureza inteira para uso de seu cego desejo e de sua insaciável avareza.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 113

🔖 Leia outra citação que expressa a mesma ideia:

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“Em tudo os homens agem em vista de um fim, qual seja, em vista do útil que apetecem, donde sempre ansiarem por saber somente as causas finais das coisas realizadas e sossegarem tão logo as tenha ouvido; (…).”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 111

🔖 Outra citação que aborda o mesmo tema:

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“Aqui, bastará que eu tome por fundamento aquilo que deve ser admitido por todos, a saber, que todos os homens nascem ignorantes das causas das coisas, e que todos têm o apetite de buscar o que lhes é útil, sendo cônscios disto.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 111 | Cônscio: consciência, conhecimento.

“Nada existe de cuja natureza não siga algum efeito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 109

Em outras palavras:

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“Do que precede segue claramente que as coisas foram produzidas por Deus com suma perfeição, visto que seguiram necessariamente da natureza perfeitíssima dada.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 103

“A vontade é somente um certo modo de pensar, assim como o intelecto; e por isso (…) cada volição não pode existir nem ser determinada a operar, a não ser que seja determinada por outra causa, e essa por sua vez por outra e assim por diante ao infinito. E se a vontade for suposta infinita, deve também ser determinada a existir e a operar por Deus, não enquanto é substância absolutamente infinita, mas enquanto tem atributo que exprime a essência eterna e infinita do pensamento (…). Por conseguinte, qualquer que seja a maneira pela qual [a vontade] é concebida, seja finita ou infinita, requer uma causa pela qual seja determinada a existir e a operar; e por isso (…) não pode ser dita causa livre, mas somente necessária ou coagida.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 99

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

…

“Na natureza das coisas nada é dado de contingente, mas tudo é determinado pela necessidade da natureza divina a existir e operar de maneira certa.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 95

“A existência de Deus, assim como sua essência, é verdade eterna.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 85 | Corolário I – Corolário: afirmação deduzida de uma verdade já demonstrada.

“Com efeito, Deus (…) é a substância que (…) existe necessariamente, isto é (…), a cuja natureza pertence existir, ou seja (…), de cuja definição segue que ele existe, e por isso (…) é eterno.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 83

🔖 Leia outras frases que expressam a mesma ideia:

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“Deus age somente pelas leis de sua natureza e por ninguém é coagido.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 77

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

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“Há os que forjam Deus à parecença do homem, constando de corpo e mente, e submetido às paixões; mas quão longe estão do verdadeiro conhecimento de Deus, isto consta suficientemente do já demonstrado. Mas deixo-os de lado, pois todos que de alguma maneira contemplaram a natureza divina negam que Deus seja corpóreo. O que também provam muito bem pelo fato de entendermos por corpo uma quantidade qualquer com comprimento, largura e profundidade, delimitada por uma certa figura; e nada mais absurdo que isso pode ser dito de Deus, o ente absolutamente infinito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 69

“Tudo que é, é em Deus, e nada sem Deus pode ser concebido.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 67

🔖 Leia outra frase que expressa a mesma ideia:

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