“Porém, enquanto buscavam mostrar que a natureza nunca age em vão (isto é, que não seja para uso do homem), nada outro parecem haver mostrado senão que a natureza e os Deuses, ao igual que os homens, deliram. Vê, peço, a que ponto chegaram as coisas! Em meio a tantas coisas cômodas da natureza, tiveram de deparar com não poucas incômodas: tempestades, terremotos, doença, etc., e sustentaram então que estas sobreviveram porque os Deuses ficaram irados com as injúrias a eles feitas pelos homens, ou seja, com os pecados cometidos em seu culto. E embora a experiência todo dia protestasse e mostrasse com infinitos exemplos que o cômodo e o incômodo sobrevêm igual e indistintamente aos pios e aos ímpios, nem por isso largaram o arraigado preconceito: com efeito, foi-lhes mais fácil pôr esses acontecimentos entre outras coisas incógnitas, cujo uso ignoravam, e assim manter seu estado presente e inato de ignorância, em vez de destruir toda essa estrutura e excogitar uma nova.”
Benedictus de Spinoza
Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 113
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“No entanto, não são do mesmo Criador e da mesma Criação o espetáculo inverso, da mesma Natureza, e o do doloroso e degradante estado a que se deixa descer imensa porção da criatura humana? Os pavorosos cataclismas dos terremotos, dos vulcões, dos tufões, das enchentes a destruição do trabalho […]. Meter o diabo nisto, como costumam fazer os teologistas, é sofisma puerial e tolo, pois não destrói ele o pressuposto da onipotência divina?”
Diogo de Vasconcelos; Francisco Eduardo de Andrade e Mariza Guerra de Andrade (coordenação)
“Espalha a cega
Sobre os humanos
Os bens e os danos,
E a quem se devam Nunca escolheu.”
Tomás Antônio Gonzaga | Segunda Parte – Lira VI
“O branco é diz que é superior. Mas que superioridade apresenta o branco? Se o negro bebe pinga, o branco bebe. A enfermidade que atinge o preto, atinge o branco. Se o branco sente fome, o negro também. A natureza não seleciona ninguém.”
Carolina Maria de Jesus
