“(…) convencei-vos da verdade que vos vou dizer: – que é muito melhor, muito preferível ser governado por uma lei má, do que ter nenhuma.”

Manual Ferreira da Câmara Bittencourt Aguiar e Sá, Intendente do Tijuco, em 18 de maio de 1821 em uma carta ao povo de Diamantina após a promulgação da Constituição Portuguesa, que aboliu o Regimento Diamantino do qual ele era o principal representante. O Regimento Diamantino possuía poder absolutista.

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 259

“O povo, vendo-se senhor do campo, trata a seu turno de tirar uma desforra. Deviam-se esperar excessos, que sempre acompanham as comoções populares. É natural: aberto o dique é difícil fazer parar a torrente. (…) Houve um sussurro surdo, depois o tumulto foi serenado. Verdadeira ou falsa, esta notícia livrou o povo, que quase sempre é exagerado em tais ocasiões, de praticar um ato de que talvez tivesse depois de envergonhar-se.”

Joaquim Felício dos Santos sobre agitação no Tijuco devido a Revolução constitucional do Porto que repercutiu em todo o Brasil.

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 251

“… Em toda a Província de Minas encontrei homens de costumes dóceis, cheios de benevolência e hospitalidade; (…).”

Saint-Hilaire, naturalista francês, descrevendo sua viagem ao Distrito Diamantino em 1817

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 246

“Em toda associação quase sempre aparece um judas.”

Joaquim Felício dos Santos sobre a traição do famoso escravo e garimpeiro Isidoro que foi entregue por um de seus comparsas, em 1809, no Tijuco. Preso, interrogado e torturado até a morte, Isidoro não entregou nenhum de seus contatos ou companheiros.

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 241

“Esta lei mandou por em execução a constituição apostólica de Benedito XIV de 20 de dezembro de 1741, que proibia escravizarem-se os índios do Brasil, coibindo muitos abusos que havia a este respeito, sob graves penas espirituais; e tornou geral a todo o Brasil a disposição dos alvarás de 6 e 7 de julho de 1776, que haviam estabelecido, sem restrições, a liberdade das pessoas e bens dos índios do Pará e Maranhão, dando providências para a sua civilização e catequese, e animando-os a entregarem-se ao comércio e à agricultura.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 237 (Nota de Rodapé)

“D. João VI foi um excelente homem. Gostava de ouvir e fazia muitas perguntas às pessoas que o iam ver. Recebeu Câmara com a maior amabilidade, como era seu costume; interrogou-o minuciosamente sobre todos os negócios do Tijuco e até sobre a maneira como eram alimentados os escravos.”

Joaquim Felício dos Santos sobre encontro de Câmara, intendente do Tijuco com o Rei Dom. João VI, no Rio de Janeiro, em 1816

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 231

“Se nos tempos coloniais trabalhávamos para a sustentação da Corte de Lisboa, hoje trabalhamos para a do Rio de Janeiro. Que lucramos com a independência?”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 226

“Proibições com penas as mais rigorosas não nos permitiam utilizar-nos das riquezas, que a natureza com tanta prodigalidade disseminara sobre nosso solo. Todo o comércio era exercido por monopólios; toda a indústria fabril era proibida aos brasileiros; exauria-se a colônia para enriquecer os negociantes de Lisboa; muitos gêneros de primeira necessidade, que abundavam em nosso país, não podíamos obter senão comprando-os às companhias portuguesas, e quando os importávamos vinham sobrecarregados de pesados direitos.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 225

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

“É o espírito do avaro ambicioso, que destrói o que não lhe pode ser útil, só para não aproveitar a outrem. A política de então não compreendia que da prosperidade do individuo é que depende a do Estado.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 205

“(…) é preciso estar sempre pronto para sofrer revezes, quem procura coisas tão incertas.”

Dr. Couto sobre a mineração

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 203

“Pobre povo! Sempre alegre, folgazão, descuidado, impressionável, na embriaguez de um momento de alívio julgava-se feliz e livre do despotismo; (…). O presente o inebriava, e não deixava enxergar através dos atos (…).”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 195

“Quem deseja os fins, facilita os meios.”

Trecho de requerimento que apresenta queixas ao Governador, assinado por 30 pessoas do Tijuco

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 193

“O Santo Ofício, como já dissemos, servia de algoz aos fracos governos de Dona Maria I e do Príncipe-Regente: era quem os descartava de algum súdito importuno, quando não tinham a necessária coragem de fazê-lo abertamente. A Corte portuguesa era toda voltairiana; e  por consequência não era por espírito religioso que se perseguiam os pedreiros-livres, e que se procurava punir a liberdade em matéria religiosa em um tempo em que dominava o filosofismo.”  

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 188

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“A Inconfidência de Minas tinha sido dirigida pela Maçonaria. Tiradentes e quase todos os conjurados eram pedreiros-livres.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 188

“A política da época servia-se da Inquisição como de um instrumento para guerrear seus inimigos, ou abafar as ideias infensas ao regime do absolutismo. Se perseguiam-se os chamados pedreiros-livres, não era tanto por fazerem eles parte de uma associação, que fora condenada e excomungada por Clemente XII e Bento XIV, mas principalmente por serem os que mais concorriam para a disseminação dos princípios revolucionários, cujo foco existia na França.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 187

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“… Qual foi o meu crime? Tirar diamantes da terra. Mas quem foi que ahi os escondeu, senão Deos, para nós com o nosso trabalho irmos procura-los? Que direito, portanto, há para se nos proibir a mineração? Deos creou os quatro elementos para goso dos homens: o ar que respiramos, a água que bebemos, o fogo que nos aquece, e a terra para d’ela tirarmos todo o proveito, já cavando-lhe as entranhas para extrahirmos os mineraes e pedras preciosas, já cultivando-a para alimentarmo-nos, já caçando nas suas matas e campos. Sou proscripto e criminoso por ter querido gosar dos benefícios concedidos pela Providencia…”

Carta escrita em São João Del Rei, em 15 de fevereiro de 1796 por um despejado a um seu irmão residente no Tijuco

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 169 (Nota de Rodapé)

🔖 Leia outra citação que aborda o mesmo tema:

“Contou-nos um venerável ancião, que as primeiras obras na língua francesa, que apareceram no Tijuco, foram o Contrato Social, o Espírito das Leis e o Telêmaco; as mais eram em latim ou português.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 168 (Nota de Rodapé)