“A Tristeza (…) diminui ou coíbe a potência de agir do homem, isto é, (…) diminui ou coíbe o esforço pelo qual o homem se esforça para perseverar no seu ser.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 295

“Este ódio à coisa amada unido à Inveja chama-se Ciúme, o qual, por isso, nada outro é que a flutuação do ânimo originada simultaneamente do Amor e do Ódio conjuntamente a ideia do outro a quem se inveja. Além disso, esse ódio à coisa amada será maior em proporção à Alegria com que o Ciumento costumava ser afetado pelo Amor recíproco da coisa amada, e também em proporção ao afeto que tinha por aquele outro ao qual imagina que a coisa amada se una.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 293

“(…) a maioria dos homens está constituída de tal maneira que se comisera dos que estão mal e inveja os que estão bem, e (…) com um ódio tanto maior quanto mais amam a coisa que imaginam ser possuída pelo outro. Vemos, ainda, que da mesma propriedade da natureza humana da qual segue que os homens são misericordiosos, segue também que são invejosos e ambiciosos.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 289

“Este esforço de fazer com que os outros aprovem o que cada um ama ou odeia é, na verdade, Ambição (…); assim vemos que cada um por natureza apetece que os outros vivam conforme seu engenho, e vemos também que, enquanto todos igualmente o apetecem, igualmente são impedimento uns para os outros e, enquanto todos querem ser louvados ou amados por todos, são odiados uns pelos outros.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 287

“(…) Inveja, que em vista disso é nada outro que o próprio Ódio, enquanto é considerado dispor o homem de tal maneira que se regozije com o mal do outro e, ao contrário, se entristeça com o bem dele.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 275

“(…) Comiseração, a qual podemos definir como sendo a Tristeza originada do dano ao outro. (…) Além disso, o Amor por aquele que faz bem ao outro chamaremos Apreço e, ao contrário, o Ódio por aquele que fez mal ao outro, Indignação.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 273

“Pelo que assim foi dito, entendemos o que são Esperança, Medo, Segurança, Desespero, Gozo e Remorso. Pois a esperança é nada outro que a Alegria inconstante originada da imagem de uma coisa futura ou passada, de cuja ocorrência duvidamos. O Medo, ao contrário, é a Tristeza inconstante originada de uma coisa duvidosa. Além disso, caso a dúvida seja suprimida desses afetos, da Esperança faz-se a Segurança, e do Medo o Desespero; a saber, a Alegria ou a Tristeza originadas da imagem de uma coisa que temíamos ou esperávamos. O Gozo, ademais é a Alegria originada da imagem de uma coisa passada, de cuja ocorrência duvidáramos. O Remorso, enfim, é a tristeza oposta ao gozo.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 269

“Qualquer coisa pode ser, por acidente, causa de Alegria, Tristeza ou Desejo.”

Benedictus de Spinoza

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 261 | Para Spinoza, Alegria, Tristeza e Desejo são os três sentimentos primários e todos os outros se originam deles (pg. 257).

🔖 Outra citação que aborda a mesma ideia:

“Assim, por Alegria, entenderei na sequência a paixão pela qual a Mente passa a uma maior perfeição. Por Tristeza, a paixão ela qual ela passa a uma menor perfeição. Em seguida, o afeto de Alegria simultaneamente relacionado à Mente e ao Corpo, chamo de Carícia ou Hilariedade; e o de Tristeza, por sua vez, Dor ou Melancolia.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 257 | Para Spinoza a perfeição está relacionada à capacidade de existência.

“Este esforço, quando referido só a Mente, chama-se Vontade; mas quando é referido simultaneamente à Mente e ao Corpo chama-se Apetite, que portanto não é nada outro que a própria essência do homem, de cuja natureza necessariamente segue aquilo que serve à sua conservação; e por isso o homem é determinado a fazê-lo. Em seguida, entre apetite e desejo não há nenhuma diferença senão que o desejo é geralmente referido aos homens enquanto são cônscios de seu apetite, e por isso pode ser assim definido: o Desejo é o apetite quanto dele se tem consciência.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Páginas: 253 a 255

“(…) devem ser governados e conduzidos os cidadãos, a saber, para que não sejam servos, mas para que façam livremente o que é melhor.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 229

“(…) cada um, o quanto pode, se esforça para que os outros amem aquilo que ele ama e odeiem aquilo que ele odeia.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 287

“O Amor é a Alegria conjuntamente à ideia de causa externa e o Ódio é a Tristeza conjuntamente à ideia de causa externa (…).”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 285

“Se alguém fez algo que imagina afetar os outros de Alegria, será afetado de Alegria conjuntamente à ideia de si como causa, ou seja contemplará a si próprio com Alegria. Se, ao contrário, fez algo que imagina afetar os outros de Tristeza, inversamente contemplará a si próprio com Tristeza.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 285

“Vemos facilmente acontecer que o homem estime além da medida a si e à coisa amada e, ao contrário, aquém da medida à quem odeia; imaginação que, quando diz respeito ao próprio homem que se estima além da medida, é chamada Soberba, e é uma espécie de Delírio, porque o homem sonha de olhos abertos poder todas as coisas que alcança pela só imaginação e que por isso contempla como se reais, (…). Ademais, a Alegria que se origina de o homem estimar outrem além da medida chama-se Superestima; e enfim Despeito, aquela que se origina de estimar outrem aquém da medida.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 279

“Na Mente não há nenhuma vontade absoluta, ou seja, livre; mas a Mente é determinada a querer isso ou aquilo por uma causa, que também é determinada por outra, e esta de novo por outra, e assim ao infinito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 215

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“E disto se origina a maioria das controvérsias, a saber, porque os homens não explicam corretamente seu pensamento ou porque interpretam mal o pensamento de outrem. Pois, em verdade, enquanto se contradizem ao máximo, eles pensam ou as mesmas coisas ou coisas diversas, de tal maneira que aquilo que pensam ser erros e absurdos em outrem na verdade não são.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 215

“E seguramente a maioria dos erros consiste só em não aplicarmos corretamente nomes às coisas. Com efeito, quando alguém diz que as linhas traçadas do centro do círculo até sua circunferência são desiguais, ele decerto entende por círculo, ao menos nesta ocasião, outra coisa que os Matemáticos. Assim, quando os homens erram no cálculo, têm na mente uns números, no papel outros. Pois se prestar atenção a suas Mentes, decerto não erram; parecem todavia errar porque pensamos que têm na Mente os números que estão no papel.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 213

“Que os homens não tenham de Deus um conhecimento tão claro quanto o das noções comuns, isto vem de não poderem imaginar Deus, como aos corpos, e de terem ajuntado o nome Deus às imagens das coisas que costumam ver; o que os homens mal podem evitar, porque são continuamente afetados pelos corpos externos.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 213