“Aqui, bastará que eu tome por fundamento aquilo que deve ser admitido por todos, a saber, que todos os homens nascem ignorantes das causas das coisas, e que todos têm o apetite de buscar o que lhes é útil, sendo cônscios disto.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 111 | Cônscio: consciência, conhecimento.

“Nada existe de cuja natureza não siga algum efeito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 109

Em outras palavras:

“Do que precede segue claramente que as coisas foram produzidas por Deus com suma perfeição, visto que seguiram necessariamente da natureza perfeitíssima dada.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 103

“A vontade é somente um certo modo de pensar, assim como o intelecto; e por isso (…) cada volição não pode existir nem ser determinada a operar, a não ser que seja determinada por outra causa, e essa por sua vez por outra e assim por diante ao infinito. E se a vontade for suposta infinita, deve também ser determinada a existir e a operar por Deus, não enquanto é substância absolutamente infinita, mas enquanto tem atributo que exprime a essência eterna e infinita do pensamento (…). Por conseguinte, qualquer que seja a maneira pela qual [a vontade] é concebida, seja finita ou infinita, requer uma causa pela qual seja determinada a existir e a operar; e por isso (…) não pode ser dita causa livre, mas somente necessária ou coagida.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 99

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“Na natureza das coisas nada é dado de contingente, mas tudo é determinado pela necessidade da natureza divina a existir e operar de maneira certa.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 95

“A existência de Deus, assim como sua essência, é verdade eterna.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 85 | Corolário I – Corolário: afirmação deduzida de uma verdade já demonstrada.

“Com efeito, Deus (…) é a substância que (…) existe necessariamente, isto é (…), a cuja natureza pertence existir, ou seja (…), de cuja definição segue que ele existe, e por isso (…) é eterno.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 83

🔖 Leia outras frases que expressam a mesma ideia:

“Deus age somente pelas leis de sua natureza e por ninguém é coagido.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 77

🔖 Leia outras citações que abordam o mesmo tema:

“Há os que forjam Deus à parecença do homem, constando de corpo e mente, e submetido às paixões; mas quão longe estão do verdadeiro conhecimento de Deus, isto consta suficientemente do já demonstrado. Mas deixo-os de lado, pois todos que de alguma maneira contemplaram a natureza divina negam que Deus seja corpóreo. O que também provam muito bem pelo fato de entendermos por corpo uma quantidade qualquer com comprimento, largura e profundidade, delimitada por uma certa figura; e nada mais absurdo que isso pode ser dito de Deus, o ente absolutamente infinito.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 69

“Tudo que é, é em Deus, e nada sem Deus pode ser concebido.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 67

🔖 Leia outra frase que expressa a mesma ideia:

“Pois, como poder existir é potência, segue que quanto mais realidade cabe à natureza de alguma coisa, tanto mais forças tem de si para existir; por isso o Ente absolutamente infinito, ou seja, Deus, tem de si potência de existir absolutamente infinita, e por causa disso ele existe absolutamente. Todavia muitos talvez não possam ver facilmente a evidência desta demonstração, já que estão acostumados a contemplar somente as coisas que fluem de causas externas; dentre elas, veem as que são feitas rápido, isto é, que existem facilmente e também perecem facilmente; ao contrário, julgam coisas mais difíceis de ser feitas, isto é, não tão fáceis de existir, aquelas às quais concebem pertencer muita coisa. Na verdade, para liberá-los destes prejuízos, não me dou o trabalho de mostrar aqui por que razão o enunciado o que é feito rápido, rápido perece é verdadeiro, (…). Mas basta notar apenas que não falo aqui de coisas feitas por causas externas, mas só de substâncias, que (…) não podem ser produzidas por nenhuma causa externa. Com efeito, coisas feitas de causas externas, (…) o que quer que tenham de perfeição, ou seja, realidade, deve-se totalmente à força de causa externa, e por isso a existência delas provém da só perfeição da causa externa e não da perfeição delas. Ao contrário, o que quer que a substância tenha de perfeição não se deve a nenhuma causa externa; por isso, também de sua natureza deve seguir sua existência, a qual, por conseguinte, não é dada mais que sua essência. A perfeição, portanto, não tira a existência da coisa, mas ao contrário a põe; a imperfeição, ao invés, tira-a, e por isso não podemos estar mais certos da existência de nenhuma coisa que da existência do Ente absolutamente infinito ou perfeito, isto é, Deus. Pois, visto que sua essência exclui toda imperfeição e envolve absoluta perfeição, por isto mesmo suprime toda causa de duvidar de sua existência, e dela dá a suma certeza, o que creio, será claro a quem prestar um pouco de atenção.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 63

“Poder não existir é impotência e, ao contrário, poder existir é potência (…). E assim, se o que agora existe necessariamente não são senão entes finitos, então os entes finitos são mais potentes que o Ente absolutamente infinito; e isto (…) é absurdo; logo, ou nada existe, ou necessariamente o Ente absolutamente infinito também existe. Ora, nós existimos, ou em nós ou em outro que existe necessariamente. Logo, o ente absolutamente infinito, isto é, Deus, existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 61

🔖 Leia a opinião de Descartes sobre o mesmo tema (Spinoza foi contemporâneo de Descartes, sendo este último, 36 anos mais velho):

“(…) se não pode ser dada nenhuma razão nem causa que impeça que Deus exista, ou iniba sua existência, certamente cumpre concluir que ele existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 61

“Deus, ou seja, a substância que consiste em infinitos atributos, do quais cada um exprime uma essência eterna e infinita, existe necessariamente.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 59 | “Com efeito, atributo é aquilo que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela (…).” Benedictus de Spinoza, pg. 57

“(…) os que confundem a natureza divina com a humana facilmente atribuem a Deus afetos humanos, sobretudo enquanto ignoram também como os afetos são produzidos na mente.”

Benedictus de Spinoza

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 53 a 55

“Coisas que nada têm em comum uma com a outra também não podem ser entendidas uma pela outra, ou seja, o conceito de uma não envolve o conceito da outra.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | 5º Axioma. Axioma: Afirmação aceita como verdade, utilizada como ponto inicial para dedução de outras verdades.

🔖 Citações que expressam a mesma ideia:

“Tudo que é, ou é em si ou em outro.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | 1º Axioma. Axioma: Afirmação aceita como verdade, utilizada como ponto inicial para dedução de outras verdades.

“É dita livre aquela coisa que existe a partir da só necessidade de sua natureza e determina-se por si só a agir. Porém, necessária, ou antes coagida, aquela que é determinada por outro a existir e a operar de maneira certa e determinada.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 47 | Para Spinoza, somente Deus é verdadeiramente livre.

🔖 Outra citação que expressa a mesma ideia:

“Por Deus entendo o ente absolutamente infinito, isto é, a substância que consiste em infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita.”

Benedictus de Spinoza  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Página: 45 | “Com efeito, atributo é aquilo que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela (…).” Benedictus de Spinoza, pg. 57

“Uma obra de pensamento é um trabalho de interrogação sobre o presente como um não-saber à procura de seu próprio sentido e abertura de um campo de racionalidade novo que não cessará de ser retomado pelas obras de seus leitores. Com frequência, o trabalho do leitor pode nascer de um primeiro encontro com a obra, de uma relação muito imediata e ingênua que mantém com ela, mas que inquieta e provoca indagações. No desejo de encontrar respostas para elas, o leitor inicia um lento trabalho de reflexão que o faz sentir-se quase situado no interior do discurso de um outro que, embora à distância, tem algo a lhe dizer. Pouco a pouco, porém, a diferença histórica reabre um percurso que nos faz compreender que as questões e respostas do filósofo já não se confundem com as de quem o lê. Todavia, justamente quando a distância é reaberta, o discurso ligo ganha uma força inesperada, tornando-se capaz de suscitar de maneira nova questões que são nossas.”

Marilena Chaui  

Livro: Ética – Spinoza (Editora da Universidade de São Paulo, 2021 – Publicado originalmente em 1677) | Autor: Benedictus de Spinoza | Páginas: 9 a 10