“O hipercapitalismo atual dissolve totalmente a existência humana numa rede de relações comerciais. Já não existe nenhum âmbito da vida que consiga se eximir da degradação provocada pelo comércio. O hipercapitalismo transforma todas as relações humanas em relações comerciais. Ele arranca a dignidade do ser humano, substituindo-a completamente pelo valor de mercado.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 127

“Originalmente, obras de arte são monumentos do tempo de celebração. São testemunhos de momentos supremos e bem-aventurados de uma cultura. Originalmente, só havia obras de arte dentro do culto, das ações culturais. Originalmente, as obras de arte possuíam um valor cultural. Hoje, elas perderam esse valor cultural. O valor cultural deu lugar ao valor expositivo e ao valor de mercado. As obras de arte não são expostas na rua festiva, mas no museu e são armazenadas e guardadas em cofres de banco. Museus e cofres bancários são depósitos de ossadas da arte.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Páginas: 124 a 125

“Enfeitar-se para uma festa e ir assim bem bonito para uma festa, como só é possível a seres humanos mortais, que através desse gesto assemelham-se aos deuses, isso é um traço fundamental da essência da festa, criado para a arte; é um parentesco originário do elemento festivo com o belo, (…).”

Karl Kerényi

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 123

“No regime neoliberal a exploração tem lugar não mais como alienação e autodesrealização, mas como liberdade e autorrealização. Aqui não entra o outro como explorador, que me obriga a trabalhar e me explora. Ao contrário, eu próprio exploro a mim mesmo de boa vontade na fé de que possa me realizar. E eu me realizo na direção da morte. Otimizo a mim mesmo para a morte. Nesse contexto não é possível haver nenhuma resistência, levante ou revolução.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 116

“O tempo de celebração é um tempo pleno, em contraposição ao tempo de trabalho, como tempo vazio, que deve ser simplesmente preenchido, que se move entre tédio e ocupação. A festa, ao contrário, realiza um instante de elevada intensidade vital. Hoje, a vida está perdendo cada vez mais intensidade. A vida sadia como sobrevivência é o nível absolutamente mais baixo da vida.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 114

“Tanto a festa quanto a celebração tem uma origem religiosa. A palavra latina feriae significa as ações próprias do culto religioso de um determinado tempo. Fanum significa ‘sagrado, um lugar consagrado a uma deidade’. A festa começa onde cessa o tempo cotidiano pro-fano (literalmente: o que se localiza antes das cercanias sagradas).”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 113

“A festa é o evento, o lugar onde estamos junto com os deuses, onde inclusive nós próprios nos tornamos divinos. Os deuses se alegram quando os seres humanos jogam e brincam; os seres humanos jogam e brincam para os deuses. Se vivemos uma época desprovida de celebrações, já não temos mais qualquer relação com o divino.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 111

“A essência da experiência de tempo da arte é que devemos aprender a demorar-nos junto a ela. Talvez essa experiência seja a mais adequada correspondência ao que se costuma chamar de eternidade.”

Gadamer – Filósofo alemão

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 110

“A ‘alegria’ que se encontra nas redes sociais de relacionamento tem sobretudo a função de elevar o sentimento próprio narcísico. Ela forma uma massa de aplausos que dá atenção ao ego exposto ao modo de uma mercadoria.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 93

“Todo homem tem uma consciência moral e se vê observado, ameaçado por um juiz interno, que o obriga ao respeito (…); e essa violência que vigia nele para o cumprimento das leis não é algo que ele próprio cria (arbitrariamente), mas está incorporada em seu ser.”

Kant

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 81

“O cansaço tem um fator de desarme. No olhar longo e lento do cansado a decisibilidade cede lugar a uma serenidade.”

Byung-Chul Han

Livro: Sociedade do cansaço (Ed. Vozes, 2017) | Autor: Byung-Chul Han | Página: 77