0
(0)

“Notável alteração sofreram os costumes de um povo, isolado neste canto do Brasil. Procurou-se imitar à risca os usos e modas da metrópole, que também por sua parte procurava imitar o que via na França. Usavam os homens trazer cabeleiras trançadas em forma de rabicho, entrelaçadas com um cadarço de gorgorão, arrematando na extremidade por uma laçada; chapéu à Frederico, de três pancadas; camisas de folhos com colarinho baixo; gravata de lenço branco bordado; colete de cetim macau, bordado de lentejoulas e comprido em forma de fraque, com abotoadura de pedras; casaca de veludo de diversas cores, degolada, comprida, sem enflanque, com portinholas e canhões largos e dobrados; calção largo de seda ou veludo, apertado com fivela de ouro por cima de meias de seda pérola; sapatos pretos pontiagudos com fivelas de cravação de pedras (está entendido que não falamos de diamantes); bastão grosso, de castão e ponta de ouro; relógio com cadeia de cornalina; rico florete de bainha de ouro e guarnição em forma de um – S -: daqui dizemos ainda hoje: os tempos das adagas de gancho.

As senhoras traziam na cabeça uma coifa de seda branca presa ao cabelo com alfinetes e borla de fio de ouro na extremidade; camisa de folhos apertada ao pescoço; espartilho de barbatanas, sobre o qual vestiam um macaquinho de veludo, com rica abotoadura e flores de pedras pendentes sobre o peito; grosso afogador e pesados brincos de pedraria encastoada; saia de imensa roda com longa cauda, que trançavam no braço; sapatos de bico agudo levemente voltados para cima, com altos saltos de madeira; bastão fino; traziam os dedos das mãos quase inteiramente cobertos de anéis de ouro. Em casa usavam de um folgado timão, apertado adiante e apanhado por uma cinta de seda com borlas pendentes. Não nos esqueçamos do polvilho, feito de trigo macerado, ou goma de mandioca, com que empoavam os cabelos. Quem se achasse em uma das reuniões daquele tempo, julgar-se-ia no meio de um respeitável senado.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Páginas: 84 a 85

O que você achou deste conteúdo?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Please follow and like us:

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *