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“Um dos mais graves e sérios estudos do tempo era o da denominada política ou civilidade, isto é, da maneira por que cada um devia em público regular o seu comportamento. Para este estudo havia mestres, mestres de nomeada, mestres que se mandava vir de longe, com grandes dispêndios e pingues ordenados. Escreviam-se tratados longos, que se imprimiam e nitidamente se encadernavam, sobre a matéria que era inesgotável; neles se discutiam questões que tinham a aparência da maior gravidade e importância, e sobre que divergiam com grande perigo da etiqueta, as opiniões dos mais abalizados autores e práticos. Por exemplo, era questão grave entre eles – e não nos consta que até hoje tenha sido decidida de maneira satisfatória – se o cavalheiro em um jantar devia sentar-se à mesa com o espadim, ou se deveria tirá-lo. Em uma sociedade a menor discrepância das regras do ritual, ou inobservância das etiquetas burlescas e ridículas, que se era obrigado a observar, constituía grava crime de lesa-civilidade, e o delinquente era apontado a dedo como homem grosseiro e falto de educação.”

Joaquim Felício dos Santos

Livro: Memórias do Distrito Diamantino (Editora Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1976 – Data da primeira publicação: 1868) | Autor: Joaquim Felício dos Santos | Página: 85

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