“O homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido este ano? E o que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram este ano, e quantos se transformaram em pintinhos? (…) E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano – nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia?”

Porco “Major”, personagem de “A revolução dos Bichos” de George Orwell     

Livro: A revolução dos bichos (Globo, 2003 – Primeira publicação: 1945) | Autor: George Orwell | Página: 11

“Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade. (…) A vida do animal é feita de miséria e escravidão: essa é a verdade, nua e crua.”

Porco “Major”, personagem de “A revolução dos Bichos” de George Orwell 

Livro: A revolução dos bichos (Globo, 2003 – Primeira publicação: 1945) | Autor: George Orwell | Página: 10