“O nazismo e o fascismo se desenvolvem sob o primado da ação. ‘A nossa doutrina é o fato’, afirma Mussolini em 1919, acrescentando que o fascismo não precisa da palavra, mas da disciplina. Só em 1929-1930 é que Mussolini achará necessidade de uma doutrina, mesmo assim muito imprecisa, sem preocupação com a coerência e exposição racional. Também para Hitler, na famosa obra Mein Kampf (Minha luta), o que mais importa é fazer uma autobiografia apaixonada e um apelo à ação, do que desenvolver uma clara discussão de princípios. Ambos querem desertar convicções, e não debater ideias. Os princípios não são tão importantes para eles quanto o envolvimento no sistema e a adesão a ele. A preponderância desse anti-intelectualismo fará descamar a ação para o fanatismo e a violência. Deriva daí uma visão irracionalista do mundo, calcada na promessa de ‘doação’ de uma sociedade melhor.”
Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
Livro: Filosofando: Introdução à filosofia (Moderna, 1986) | Autoras: Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins | Página: 292
