“… Hoje não temos nada para comer. Queria convidar os filhos para suicidar-nos. Desisti. Olhei meus filhos e fiquei com dó. Eles estão cheios de vida. Quem vive, precisa comer. Fiquei nervosa, pensando: será que Deus esqueceu-me? Será que ele ficou de mal comigo?”
Carolina Maria de Jesus
Livro: Quarto de despejo: diário de uma favelada (Editora Ática, 2014 / 10ª edição 2021 – Publicado originalmente em 1960) | Autora: Carolina Maria de Jesus | Página: 174 | A edição respeita fielmente a linguagem da autora, que muitas vezes contraria a gramática, incluindo a grafia e a acentuação das palavras, mas que por isso mesmo traduz com realismo a forma de o povo enxergar e expressar seu mundo.
🔖 Leia outra frase de Carolina sobre o mesmo tema:
“Um dia, na favela eu não tinha o que comer. Havia preparado para morrer. Ia beber formecida. Misturei o veneno no café. Os filhos tomam com pão e morre. Quando o senhor Binidito chegou, com uns pacotes: arroz, carne, açúcar, café, latas de óleo. Fiquei alegre! Joguei o café fora.”
Carolina Maria de Jesus
