“Há uma morte feliz. É aquela que acontece no tempo certo. O rei, transbordante de felicidade pelo nascimento do seu primeiro neto, convidara todos os poetas, gurus e magos do reino a ir ao palácio a fim de escreverem num livro de ouro seus bons desejos para a criança. Um sábio de muito longe, desconhecido, escreveu: ‘Morre o avô, morre o pai, morre o filho…’. O rei, enfurecido, mandou prendê-lo no calabouço. A caminho do calabouço, passou o rei, que o amaldiçoou pelas palavras escritas. O sábio respondeu: ‘Majestade, qual é a maior tristeza de um avô? Não é, porventura, ver morrer seu filho e neto? Qual é a maior tristeza de um pai? Não é, porventura, ver morrer o filho? (…) Felicidade é morrer na ordem certa.”
Rubem Alves
Livro: Palavras para desatar nós (Papirus Editora, 2011 – 8ª Reimpressão 2019) | Autor: Rubem Alves | Página: 28 – Crônica: “Um único momento”
Esta história é repetida no mesmo livro, na página 154 – Crônica: “Tenho medo”
