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“Essa ideia, aparentemente simples, mudou tudo. Ela me fez perceber como eu estava sendo estúpido. Meu pai nunca repetiu aquela frase. Ele sempre a falava pela primeira vez. Eu que não tinha maturidade e sabedoria para fazer o mesmo e também escutar pela primeira vez. Ter deslocado aquela situação do campo do problema para o campo do jogo possibilitou que eu acessasse uma escuta lúdica que me fez escutar que havia outra realidade oculta dentro daquela aparente, que no que eu considerava um ‘problema’ existia um convite. Uma grande oportunidade de conexão com meu pai.”

Christian Dunker e Cláudio Thebas

Livro: O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas (Ed. Planeta, 2021) | Autores: Christian Dunker e Cláudio Thebas | Página: 188 | Contexto: o pai, com Alzheimer, sempre repetia a mesma frase sobre um relógio. O filho se irritava e geralmente pedia desculpas às visitas pela repetição do pai. A partir de um novo ponto de vista, que o pai não repetia, mas sempre a dizia pela primeira vez, o filho passou a se colocar o desafio de sempre que o pai dissesse a frase, ele faria uma pergunta diferente: “De que material ele é feito?”, “Quando o comprou?”…

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