“Mas, ela se foi, e eu fiquei abandonado, perdido, só. Sem ela, nada sou. Por isso, choro; não porque ela se foi, mas porque eu fiquei. Estou só.”
“Dizem que os vivos devem perdoar os mortos. Porque todos nós temos os nossos momentos de fraquesa.”
“(…) em nós há alguma coisa que a morte não pode destruir, (…).”
“A observação empírica nos leva a entender que todas as qualidades distintivas dos pais se reencontram na criança procriada e que, assim, superam a morte.”
“(…) a força que antes animava uma vida agora apagada é a mesma que é ativa na vida agora florescente.”
“(…) Epicuro examinou a morte, e assim tinha toda razão em dizer que ‘a morte não nos concerne’; pois, disse ele que, quando somos, a morte não é, e quando a morte é, não somos mais (…).”
“A planta e o inseto morrem no fim do verão; o animal e o homem, ao cabo de alguns anos: a morte ceifa incansavelmente. Entretanto, é como se não fora no todo assim, tudo existe sempre no seu lugar e na sua ocasião, exatamente como se tudo fosse imperecível. A planta sempre verdeja e floresce, o inseto zumbe, o animal e o homem subsistem em indestrutível juventude, e as cerejas, que já saboreamos mil vezes, nós as temos novamente diante de nós a cada verão. Também os povos permanecem como indivíduos imortais, mesmo se às vezes mudam de nome. Sua conduta, suas ações, seu sofrimento são sempre os mesmos em todos os tempos, ainda que a história pretenda nos contar sempre algo novo: ela é como um caleidoscópio, que em cada volta nos apresenta uma configuração nova, entretanto, na verdade, são sempre os mesmos elementos diante dos nossos olhos. Desse modo, impõe-se-nos irresistivelmente o pensamento de que o nascimento e a morte não afetam em nada a essência verdadeira das coisas: esta permanece ilesa, é portanto imperecível, e permanece em cada ser, continuamente e sem fim.”
“Contemplai no outono o pequeno mundo dos insetos: vereis como um prepara seu leito para dormir o longo e letárgico sono do inverno; o outro tece seu casulo para passar o inverno sob a forma de uma crisálida e despertar um dia, na primavera, mais perfeito e mais jovem; a maioria, enfim, que tenciona repousar no braço da morte, só se inquieta para preparar um abrigo adequado para o seu ovo, de onde, um dia, ressurgirá sob uma nova forma. Que é isso senão a grande doutrina de imortalidade da natureza, que gostaria de nos ensinar que entre sono e morte não há diferença radical, (…).”
“A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A ‘reverência pela vida’ exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.”
“Há uma morte feliz. É aquela que acontece no tempo certo. O rei, transbordante de felicidade pelo nascimento do seu primeiro neto, convidara todos os poetas, gurus e magos do reino a ir ao palácio a fim de escreverem num livro de ouro seus bons desejos para a criança. Um sábio de muito longe, desconhecido, escreveu: ‘Morre o avô, morre o pai, morre o filho…’. O rei, enfurecido, mandou prendê-lo no calabouço. A caminho do calabouço, passou o rei, que o amaldiçoou pelas palavras escritas. O sábio respondeu: ‘Majestade, qual é a maior tristeza de um avô? Não é, porventura, ver morrer seu filho e neto? Qual é a maior tristeza de um pai? Não é, porventura, ver morrer o filho? (…) Felicidade é morrer na ordem certa.”
“Em vez de considerar os arquétipos da morte e da vida opostos, devemos encará-los juntos como o lado esquerdo e o direito de um único pensamento.(…) Enquanto um lado do coração se esvazia, o outro se enche. Quando uma respiração termina, outra se inicia.”
“Em grande parte da cultura ocidental, o personagem original da natureza da morte foi encoberto por vários dogmas e doutrinas até o ponto em que se separou de vez da sua outra metade, a vida. Fomos ensinados, equivocadamente, a aceitar a forma mutilada de um dos aspectos mais básicos e profundos da natureza selvagem. Aprendemos que a morte é sempre acompanhada de mais morte. Isso simplesmente não é verdade. A morte está sempre no processo de incubar uma vida nova, mesmo quando nossa existência foi retalhada até os ossos.”
“A Mente humana não pode ser absolutamente destruída com o Corpo, mas dela permanece algo que é eterno.”
“Não há nenhuma coisa em que o homem livre pense menos do que na morte, e sua sabedoria não é uma meditação sobre a morte, mas sobre a vida.”
“Repetia-se a velha história: os melhores iam embora, os chatos continuavam existindo.”
“Quando a terra perde um justo, Conta um anjo o céu de mais.”
“Eis a origem da ideia do sepultamento. É colocar alguém de volta no útero da mãe-terra, para o renascimento.”
“Perdi muitos amigos, assim como a meus pais. Entretanto, veio-me uma compreensão muito aguda de que na verdade não os perdi. Aquele momento que eu partilhei com eles teve uma qualidade de duração que ainda agora perdura em mim. O que aquele momento me deu permanece em mim, e há nele uma espécie de sugestão de imortalidade.”
“Quando a dor ataca, frequentemente fazemos perguntas erradas, como: ‘Por que eu?’ As perguntas corretas são: ‘O que posso aprender com isso? O que posso fazer a respeito disso? O que posso realizar apesar disso?’”
“Saudade é a presença da ausência das coisas que amamos e nos foram roubadas pelo tempo.”
“Dizem que o tempo tudo cura,
Dizem que sempre se pode esquecer,
Mas os sorrisos e lágrimas, anos a fio,
Ainda fazem meu coração sofrer.”
“Quem está de luto encontra-se totalmente junto ao outro amado.”













