“Muitas vezes me perguntei por que não teria existido um escritor do século 18 – e houve tantos, em Minas! – que pusesse por escrito essa grandiosa e comovente história. Mas a duzentos anos de distância pode-se entender porque isso não aconteceu, principalmente se levarmos em conta a importância do traumatismo provocado por um episódio desses, em tempos de duros castigos, severas perseguições, lutas sangrentas pela transformação do mundo, em grande parte estruturada por instituições secretas, de invioláveis arquivos.”
“Liberdade – essa palavra
que o sonho alimenta:
que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda!”
“Havia então alguns jovens brasileiros, entusiastas das ideias de liberdade, que só esperavam um chefe ou um sinal para se declararem em revolta contra o jugo da metrópole, como faziam então os anglo-americanos, certos de que o primeiro grito de emancipação seria repercutido por todo o Brasil.”
“Liberdade, ainda que tarde,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
E sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus – pois se atreveram
a falar em Liberdade.”
“(…) gloriamo-nos de que neste canto do Brasil se manifestasse o primeiro pensamento de emancipação. E era natural, e tínhamos sobeja razão; de todos os povos da Colônia fomos o mais vexado e oprimido pela Metrópole. Logo veremos que não ficamos estranhos à tentativa de emancipação de 1789, e que o Tijuco também contribuiu com suas vítimas.”
“E ninguém percebe
como é necessário
que terra tão fértil,
tão bela e tão rica
por si se governe!”
“Pobre daquele que sonha
fazer bem – grande ousadia –
quando não passa de Alferes
de cavalaria!”
“Não há mineiro que ignore a história da nossa gloriosa tentativa de independência de 1789.”
“Na mesma ocasião o Conselho determinou a demolição do padrão de infâmia levantado em Vila Rica há trinta anos em opróbio ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que fora executado em 1792, como chefe da Conjuração Mineira. Ninguém ignora essa história. Na sentença proferida contra o ilustre condenado se mandava que ele fosse enforcado e depois esquartejado; seus quartos levados aos lugares em que os conjurados se reuniam para seus trabalhos clandestinos; sua cabeça levada à Vila Rica, e exposta em um alto poste no lugar mais público da vila; arrasada a casa em que morava na mesma vila e o solo salgado, para que nele não mais se edificasse, e que aí se levantasse um padrão de infâmia com uma inscrição, que perpetuasse o crime e o castigo. Seus filhos e netos foram declarados infames, e despojados de todas as honras cívicas, e esbulhados de todos os seus bens.”


